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Menino autista chega da escola sujo de corretivo e mãe denuncia bullying no Acre

Por Redação Juruá em Tempo.2 de agosto de 20224 Minutos de Leitura
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A manicure Rosângela Sousa fez um longo desabafo em uma rede social para denunciar que o filho mais velho, Kayo Arantes, de 12 anos, que tem Transtorno do Espectro Autista, sofreu bullying na escola na última quinta-feira (28). A criança chegou do colégio sujo de corretivo que teria sido jogado por colegas da sala dele.

Ao ver o estado que o filho chegou em casa, Rosângela resolveu gravar um vídeo e encaminhar para a mediadora do filho. As imagens também foram postadas em uma rede social. Kayo é aluno do 7º ano da Escola Estadual Profº Pedro Martinelo, no bairro Montanhês, em Rio Branco.

“O Kayo acabou de chegar da escola. Olha a situação que ele tá. A cabeça cheia de corretor [corretivo]. Quem foi que fez isso, Kayo?”, pergunta a mãe no vídeo. A criança responde que ‘foi o pessoal da minha sala’.

A manicure segue mostrando que as mãos do filho também estavam sujas de corretivo. Kayo foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista leve há mais de dois anos. Ele faz acompanhamento médico desde então e também tem uma mediadora na sala de aula.

Ao g1 nesta segunda-feira (1º), Rosângela falou que, no dia da agressão, a mediadora do filho tinha faltado por motivos de saúde. O menino falou que foi sujo de corretivo na saída do colégio, quando um grupo de colegas brincava de sujar uns aos outros.

“Foi em frente da escola, na hora da saída. Ele ia andando e ia um grupo na frente. Começaram jogar uns nos outros e ele ia passando. Olharam para ele e falaram: ‘vamos jogar no Kayo doido’. O Kayo falou que não era para jogar nele. Uma menina jogou nele e saiu correndo. Ele pediu para não sujarem ele e sujaram”, lamenta.

Pais convocados

A coordenadora do colégio, Elizangela Cristina, afirma que identificou os alunos que sujaram Kayo de corretivo e também que o xingaram dentro da sala de aula. Segundo ela, as crianças que jogaram corretivo no colega não são os mesmos identificados como responsáveis pelos xingamentos nos intervalos das aulas.

Elizangela diz que todas as providências foram tomadas, a diretoria conversou com os alunos e também convocou os pais dessas crianças para irem até o colégio.

“Não aconteceu dentro da escola, foi a caminho de casa. Infelizmente, alguns alunos da escola que iam caminhando com ele e o sujaram de corretivo. Com relação ao bullying que a mãe diz que ele sofre na escola, assim que tivemos conhecimento a gente tomou todas as providências, ele tem mediadora, então, como escola, já averiguei toda situação, identifiquei os alunos e convoquei os pais”, acrescenta.

Mudança de comportamento

Rosângela disse que percebeu uma mudança no comportamento do filho há cerca de dois meses, mas que ele não revela o que tinha acontecido. Após muita insistência, a manicure descobriu que o filho já era alvo de bullying dos coleguinhas.

“Ele falou: ‘tem uns coleguinhas que na hora do intervalo ficam me chamando de doido. Quando tô na fora da sala de aula, que a mediadora não tá comigo, me chamam de retardado, ficam me excluindo, quero brincar com eles e não deixam”, relembra.

A manicure diz ter procurado a direção da escola e relatado o caso. A diretoria prometer resolver a situação, mas Kayo continuou com o comportamento estranho em casa. “Falou que os meninos continuaram. Disse para ele não ligar, para se afastar dessas pessoas, mas quando chegou na quinta-feira em casa não aguentei. Fui lá na escola, conversei com a coordenadora”, destaca.

Aluno tem Transtorno do Espectro Autista leve e falou para mãe que é xingado pelos colegas de aula — Foto: Arquivo pessoal

Novamente na escola, Rosângela conta que a coordenação avisou que os pais dos alunos iriam ser chamados na escola, que já sabiam quem era. “Falaram que sobre chamarem ele de doido não estavam sabendo, que a mediadora tinha conversado com os alunos e tinha resolvido. Não resolveu, se tivesse resolvido meu filho não chegava em casa todo dia reclamando que estavam falando isso com ele”, explica.

A manicure revela que não quer mudar o filho de escola porque o colégio fica próximo de onde mora, mas que nesta segunda-feira (1º) não mandou Kayo para aula com medo. “Não pretendo tirar, mas hoje fiquei com medo de mandar porque os pais dos outros alunos devem ter ido na escola. Nem todos os pais entendem, podem achar que foi uma brincadeira de mau gosto, mas não é assim. Não foi uma brincadeira de criança, a intenção não foi boa”, conclui.

  • Fonte: g1 AC.
Por: redação.
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