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Na primeira Copa do Mundo como ex-jogador, Mascherano aponta Argentina como favorita

Por Redação Juruá em Tempo.19 de agosto de 20224 Minutos de Leitura
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Nas últimas quatro edições da Copa do Mundo, Javier Mascherano estava em campo, como titular da Argentina. No Catar, ele estará na arquibancada (provavelmente num camarote), como um torcedor a mais. Em entrevista exclusiva ao ge, feita por chamada de vídeo, o hoje Embaixador do Mundial de 2022 e técnico da seleção argentina sub-20 aponta seus favoritos a ganhar a Copa, revela como foi recebido por Guardiola quando o Barcelona o contratou e diz que hoje recusaria propostas para trabalhar no Brasil – ou em qualquer outro lugar.

Falando de sua casa em San Lorenzo, uma cidade de 45 mil habitantes pertinho de Rosário, Mascherano usa um tom de voz sempre baixo, calmo, entrecortado por sorrisos tímidos – em contraste com a imagem do jogador vulcânico que sempre foi. Diz que não sente falta de “absolutamente nada” dos tempos de jogador, que sua etapa da seleção terminou após a Copa de 2018, e se anima ao falar como torcedor.

– Tenho muita fé na Argentina. Este time conseguiu manter a regularidade, tem uma ideia muito clara de jogar, sabe o que precisa fazer, e isso é muito importante na hora de competir – diz Mascherano, que também cita Brasil, França, Inglaterra, Espanha e Bélgica no pacote de seleções favoritas a ganhar a Copa do Catar.

Mascherano acaba de conquistar seu primeiro título – bateu o Uruguai na final do torneio de La Acudia, na Espanha, que mistura seleções e clubes sub-20. Perguntado se aceitaria uma proposta para trabalhar no futebol brasileiro, o técnico foi direto:

– Não. Na verdade eu não sei se vou continuar treinando depois dessa experiência. Estou muito contente onde estou, não poderia estar num lugar melhor. As seleções de base foram muito importantes na minha carreira como jogador, e hoje eu trato de transmitir minhas ideias.

Javier Mascherano durante a Copa de 2014 — Foto: Getty Images

Em julho de 2003, aos 19 anos, Mascherano estreou na seleção principal da Argentina, antes mesmo de ter jogado como titular pelo River Plate. De lá para cá, ele disputou quatro Copas do Mundo como titular, cada um com um treinador diferente: José Pekerman (2006), Diego Maradona (2010), Alejandro Sabella (2014) e Jorge Sampaoli (2018). Nos grandes clubes europeus que defendeu, foi dirigido por Rafael Benítez no Liverpool e por Pep Guardiola no Barcelona.

Como técnico, Mascherano evita se apresentar como discípulo direto de alguns deles – “no futebol você não pode transmitir a ideia de outros, a ideia tem que ser própria” – mas quando resume a maneira como gostaria que seus times jogassem fica fácil perceber a influência do catalão que hoje dirige o Manchester City.

– Tem a ver com ser protagonista, com controlar o jogo, tratar de controlar o jogo através da posse da bola, jogar no campo rival, correr riscos. Estes são os princípios básicos da ideia que eu tenho […] É sempre importante ganhar, mas a maneira também importa. Não [é ganhar] de qualquer maneira.

Quando trocou o Liverpool pelo Barcelona, em 2010, Mascherano foi recebido por Guardiola em seu escritório no centro de treinamento. Ao ge, o agora ex-jogador relembra como foi recebido pelo treinador, cuja primeira frase foi: “Você sabe que não vai jogar, né?”

– Ele me disse algo que era óbvio: que seria muito difícil achar um lugar para mim. Porque eu competia com um dos melhores volantes dos últimos 20 anos, que é o Busquets.

Mascherano ao lado de Messi e Luis Suárez, companheiros e amigos dos tempos de Barcelona  — Foto: Instagram

Com o tempo, Guardiola inventou Mascherano como zagueiro, função incomum para um jogador de 1,74 metro. Em oito anos no Barcelona, foram mais de 330 partidas e nada menos do que 18 títulos. Questionado se foi melhor zagueiro ou volante, Mascherano diz que se sentia mais à vontade no meio do campo.

– Por características, eu era meio-campista e não zagueiro, não tenho uma envergadura grande, então tudo que envolvia defender na área não era fácil para mim. Tive a sorte de jogar num time que defendia longe da área e isso me favorecia. Mas tenho que ser realista. Minha condição física e a parte técnica me faziam ser mais volante do que zagueiro.

Por: ge.
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