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domingo, abril 21, 2024

Em seis anos o Acre reduziu em 30,9% a Taxa de Analfabetismo

Por Orlando Sabino, do AC24horas.

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Conforme os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua: Educação 2022, divulgada no dia 07/6 pelo IBGE (a primeira divulgação do módulo após a pandemia), a taxa de analfabetismo das pessoas de 15 anos ou mais recuou no Acre de 12,3% em 2016 para 8,5% em 2022, uma redução de pouco mais de 14 mil analfabetos no país, chegando a menor taxa da série, iniciada em 2016. No total, eram 71 mil pessoas que não sabiam ler e escrever, sendo que 43,9% (25 mil) tinham 60 anos ou mais. O percentual de redução da taxa do Acre foi a segunda maior do país, sendo superado somente pela de Roraima (36,1%). No artigo de hoje vamos explorar alguns números para o Acre, trazidos pelo IBGE.

Mesmo com a redução a taxa de analfabetismo do Acre ainda é considerada alta, sendo a décima maior do Brasil, superando somente ás dos nove estados da Região Nordeste.

Número médio de anos de estudo das mulheres é mais alto que o dos homens 

A média de anos de estudo das pessoas de 15 anos ou mais de idade, em 2022, foi 9,6 anos, aumentando em 1,1 anos ante 2016 (gráfico abaixo). Em média, as mulheres tinham 10 anos de estudo, enquanto os homens tinham 9,3 anos.

Já a média de anos de estudo das pessoas de 25 anos ou mais de idade, em 2022, foi 9,4 anos, aumentando em 1,4 anos ante 2016. Em média, as mulheres tinham 9,8 anos de estudo, enquanto os homens tinham 8,9 anos.

Observa-se que, de 2016 para 2022, essa diferença por cor ou raça se reduziu um pouco – era de 13,5 p.p. em 2016 –, mas continua num patamar elevado, indicando que as oportunidades educacionais são distintas para esses grupos, conforme pode ser verificado na tabela abaixo:

15,5% da Força de trabalho potencial do Acre possui nível superior, 107 mil pessoas

Os dados do IBGE também indicam um substancial melhora no nível de escolaridade da força de trabalho potencial, ou seja, das pessoas que possuem mais de 14 anos de idade. O resultado mais emblemático é o crescimento das pessoas sesse grupo etário que possui nível superior. Em 2016 o Acre tinha 58 mil pessoas com nível superior, que representava 9,7% do grupo. Seis anos depois, em 2022, o contingente atingiu 107 mil pessoas, representando 15,5% de todas as pessoas maiores de 14 anos do estado, um extraordinário crescimento de 84,5%, no período. Para aquilatar o crescimento do Acre, no mesmo período o crescimento desse grupo etário no Brasil foi de 36,5% e na Região Norte foi de 64,8%.

Se observarmos os dados contidos na tabela abaixo, verifica-se no período 2016 – 2022, uma queda da participação das pessoas sem instrução e fundamental incompleto ou equivalente e das pessoas com o fundamental completo e médio incompleto ou equivalente e um crescimento da participação das pessoas com o ensino médio completo ou equivalente e superior incompleto e das pessoas com superior completo. De forma contundente, os números indicam uma maior qualificação da mão-de-obra disponível para o mercado de trabalho.

Os números são bons, existem problemas a serem enfrentados, cito como exemplo:  a busca pelo aumento da frequência escolar das crianças de 0 a 3 anos; o acompanhamento constantemente da taxa de escolarização das crianças de 4 a 5 anos; o enfrentamento da inadequação da idade/série, principalmente de crianças de 6 a 14 anos, muito afetada pela pandemia e o aprimoramento da frequência escolar de jovens a partir dos15 anos, atingidos fortemente pelo abandono escolar. Todos os problemas citados não são problemas exclusivos do Acre, mas devem ocupar, constantemente, as agendas das nossas autoridades educacionais.

Porém, devemos festejar a queda do analfabetismo, do aumento da escolaridade em geral e, principalmente, do aumento significativo das pessoas com nível superior completo.


Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas

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