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sexta-feira, abril 12, 2024

PMs dão mata-leão em homem negro que estava em praça com as filhas no AC

Por redação.

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Um morador negro do bairro Vitória, em Rio Branco, acusa policiais militares de racismo e agressão após ser preso na tarde desta quinta-feira (15) na Rua Luiz Gonzaga. O homem estava com a mulher e as filhas, sendo uma de 1 ano e 11 meses e outra de 8 anos, quando foi abordado por três policiais militares.

O homem, que trabalha como auxiliar administrativo em uma empresa prestadora de serviço do governo e é estudante de uma instituição pública de ensino superior da capital, pediu para não ter a identidade divulgada.

Outro morador que estava na praça filmou a ação policial. As imagens começam logo mostrando um PM nas costas do estudante com os braços no pescoço dele, como se estivesse dando um mata-leão. O homem estava sentado e sai engatinhando tentando se livrar do PM. Em alguns momentos, o militar chega a subir nas costas do estudante em uma falha tentativa de imobilização.

Olha o que os caras estão fazendo. Trabalhador aqui, olha a família do cara aí“, diz a pessoa que gravou o vídeo. Em outra parte da gravação, o estudante aparece de joelho sendo revistado enquanto um policial grita: “Bora ver de quem é esse celular, de quem é esse celular? Tira a mão da boca“. Outros dois militares assistem ao lado deles.

A mulher do estudante com a filha mais nova no colo acompanha de perto também. O vídeo termina mostrando o auxiliar administrativo sendo colocado dentro da viatura com, pelo menos, sete policiais ao redor.

Policial militar aparece em vídeo com os braços no pescoço de homem durante abordagem — Foto: Reprodução
Policial militar aparece em vídeo com os braços no pescoço de homem durante abordagem — Foto: Reprodução

‘Me abordaram de forma truculenta’

O estudante preso conversou com o g1 nesta sexta-feira (16). Ele diz que foi vítima de racismo. “Foi racismo, a primeira coisa que o policial me falou foi: ‘você é preto’. Foi racismo, não é a primeira vez que isso acontece. Já fui abordado em frente da minha casa pela polícia porque falaram que eu estava roubando a casa”, relembrou.

Ele confirmou que estava com as crianças e a mulher na praça quando a filha caçula se assustou com um cachorro e começou a chorar muito em uma área mais afastada do local. Ele tentou consolá-la, mas não conseguiu e entregou a menina para a mãe.

Quando começou a ser afastar das duas, ele diz que sentiu um empurrão nas costas e caiu. Nesse momento, segundo ele, começou a ser sufocado e tentou se livrar do aperto.

“Tentei olhar para trás e já peguei um mata-leão, foi quando percebi que eram policiais. Ele falou: ‘você é preto, é suspeito’. Foi me empurrando, me enforcando e os companheiros vieram jogando spray de pimenta no meu rosto. Tentei me esquivar porque desmaiaria, estavam gritando. O policial falava: ‘não me importo com você, é um preto, quero que vá para o inferno’. Falou isso para minha esposa também quando ela chegou perto para tirar o celular do meu bolso para gravar”, contou.

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