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domingo, maio 26, 2024

Comissão Pró-Índio Acre promove curso de formação de Agentes Agroflorestais Indígenas

Por Assessoria.

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Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) estão desde o dia 12 de junho no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF), participando do XXXI Curso de Formação de AAFIs, que encerra no dia 8 de julho.

O curso é realizado pelo Programa de Gestão Territorial e Ambiental (PGTA) da Comissão Pró-Índio do Acre (CPI-Acre), em parceria com a Associação do Movimento dos Agentes Agroflorestais Indígenas do Acre (AMAAIAC), e faz parte do Projeto Experiências Indígenas de Gestão Territorial e Ambiental no Acre, que tem o apoio do Fundo Amazônia/BNDES.

O principal objetivo do Projeto Experiências Indígenas é apoiar a implementação dos Planos de Gestão Territorial e Ambiental (PGTAs) das Terras Indígenas (TIs) no Acre, por meio da formação e trabalho dos AAFIs, incluindo a promoção de ações de proteção e vigilância territorial, gestão integrada, manejo de quintais e sistemas agroflorestais, criação de aves e construção de sistemas de captação de água da chuva.

(Foto: Ila Verus/CPI)

“Recebemos um grande incentivo toda vez que participamos dos Cursos de Formação de AAFIs, porque aprendemos com muita prática como devemos aplicar as técnicas de agrofloresta nas terras indígenas. A gente chega no território e já anima a comunidade para fazer as hortas, os viveiros, com técnicas novas”, conta Cleir Muniz, da Terra Indígena Nukini.

Os 15 AAFIs que participam do curso são dos povos Huni Kuĩ, Shawãdawa, Nawa, Nukini, Yawanawa e Manxineru, das TIs Katukina/Kaxinawa, Mamoadate, Kaxinawá Nova Olinda, Nawa, Nukini, Arara do Igarapé Humaitá, Kaxinawá da Praia do Carapanã, Kaxinawá do Igarapé do Caucho, Rio Gregório, Kaxinawá do Rio Jordão, Kaxinawá do Baixo Rio Jordão e Kaxinawá Seringal Independência.

Também estão participando da formação dois comunitários moradores da Reserva Extrativista (Resex) do Alto Juruá. Uma das ações do Projeto Experiências Indígenas é a promoção do diálogo entre indígenas e os moradores do entorno, buscando desenvolver estratégias de gestão integrada. A participação dos comunitários fortalece a parceria entre vizinhos e a aliança entre indígenas e extrativistas para a proteção dos territórios.

Nesta edição, serão trabalhadas as disciplinas de Cartografia Indígena, Ecologia Indígena, Agrofloresta, Línguas Indígenas, Matemática, Horta Orgânica, Artes e Ofícios Fundamentos e Diretrizes da Função do AAFI. Embora o curso intensivo seja anual, a formação de AAFIs acontece ao longo de todo o ano por meio das redes de intercâmbio, oficinas itinerantes e viagens de assessoria realizadas nas terras indígenas.

“É a primeira vez que participo do curso de AAFIs e tenho aprendido muito nesses dias aqui. Os professores ensinam como construir um SAF, sobre o manejo de mudas e sementeiras para viveiros. Como mulher, que levar essas técnicas para as outras mulheres da aldeia”, diz Neuride Napoleão Antenor Manchineri, da Terra Indígena Mamoadate.

No Acre, o trabalho dos Agentes Agroflorestais Indígenas (AAFIs) se estende a 30 das 35 TIs no estado. São mais de 200 AAFIs conservando, plantando e protegendo as florestas. Esses agentes ambientais implementam junto com as comunidades os PGTA, e prestam indispensáveis serviços para a mitigação das mudanças do clima. Desenvolvem junto com as lideranças, parteiras, professores, agentes de saúde, artesãs e famílias indígenas o manejo dos recursos florestais, a produção agroecológica, a gestão dos resíduos sólidos, a proteção territorial, a conservação de corpos de água, a organização comunitária, a valorização cultural e a educação ambiental nas escolas indígenas e no entorno, e todas essas ações tem contribuído para as terras indígenas desempenharem papel fundamental na contenção do avanço do desmatamento e da degradação ambiental na Amazônia.

Formação de AAFIs

(Foto: Ila Verus/CPI)

Há 27 anos, a CPI-Acre trabalha com a formação de AAFIs no Centro de Formação dos Povos da Floresta (CFPF), localizado na área rural de Rio Branco. O CFPF é uma escola com modelos demonstrativos de sistemas agroflorestais, de criação de aves, peixes e quelônios, viveiros, hortas orgânicas e sistemas de captação de água da chuva e que tem o reconhecimento do Conselho Estadual de Educação do Acre para emitir o certificado dos AAFIs na categoria de ensino médio técnico profissionalizante.

No Acre, os AAFIs são frutos de um processo educacional e formativo, fundamentado no conceito da autoria e interculturalidade. Durante o curso presencial são implementados e manejados modelos demonstrativos no CFPF, esses modelos são baseados nos princípios da agroecologia, como também nos conhecimentos próprios dos povos indígenas. Tanto na teoria quanto nas práticas desenvolvidas durante a formação de AAFIs, são considerados os saberes indígenas sobre os recursos naturais.

A formação na CPI-Acre recebe apoio financeiro do Fundo Amazônia/BNDES, Rainforest Foundation da Noruega (RFN), NORAD/Norway’s International Climate and Forest Initiative (NICFI), Secretaria de Estado do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (Semapi)/Programa REM e Manos Unidas (Comunicação/CPI-Acre)

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