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domingo, maio 26, 2024

Caso Jenni levanta nova discussão sobre assédio sexual no esporte e mercado de trabalho

Por Thalita Gelenske, CEO e fundadora da Blend Edu.

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Segundo dados do Linkedin e da consultoria Think Eva, quase metade das mulheres já sofreu assédio sexual no trabalho, sendo que 15% delas pediram demissão. Os dados são ainda mais alarmantes quando 78,4% das mulheres alegaram que nada seria feito dentro das empresas caso decidissem denunciar esses crimes.

Mas não é sempre que casos de assédio são televisionados para todo o mundo, como aconteceu no último domingo, 20, na final da Copa do Mundo Feminina, quando a Espanha se sagrou a grande campeã. Ao subir no palco para celebrar a vitória, o presidente da Federação Espanhola de Futebol (RFEF), Luis Rubiales, deu um beijo na boca da jogadora Jenni Hermoso – a maior artilheira da história da seleção espanhola.

De acordo com matéria da ESPN, Luis afirmou que foi um “gesto espontâneo” justificado pela “a emoção do momento”. Ainda chegou a dizer que aqueles que condenaram suas ações são “idiotas”. Na segunda-feira, 21, mudou o tom e voltou atrás com declarações amenas e pedidos de desculpas. Já Jenni Hermoso, chegou a dizer que não gostou do ocorrido e depois contornou a situação e dizendo também que “Foi a emoção do momento. Não há mais nada que isso. Não é grande coisa”.

Diante desse cenário, a especialista Thalita Gelenske, CEO da Blend Edu – startup especializada em capacitações sobre diversidade e inclusão nas empresas – e Linkedin Top Voice Orgulho, explica que as corporações em geral não devem “lavar as mãos” para situações semelhantes apenas porque uma pessoa não quer se expor ou denunciar o caso.

“Após a aprovação da Lei º 14.457/2022, criou-se um momento muito oportuno para levar esse debate para dentro das nossas empresas, endereçando os comportamentos que não podem ser naturalizados dentro do ambiente de trabalho. Afinal, já pensou se seu chefe fizesse isso com você logo após você bater uma determinada meta?”, complementa.

Ainda de acordo com a especialista, o assédio moral e sexual no ambiente corporativo podem ter graves consequências para a saúde mental e física da vítima, levando ao desenvolvimento de transtornos como ansiedade, depressão e síndrome do pânico. “Além de afetar o desempenho e a produtividade da equipe, gera um clima de desconfiança e hostilidade na empresa. Por isso, é fundamental que as empresas tenham políticas claras de prevenção e combate ao assédio, incluindo a conscientização e o treinamento dos colaboradores, a criação de canais seguros de denúncia, o acompanhamento e o monitoramento das práticas adotadas”, conclui.

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