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quarta-feira, junho 12, 2024

Festival Mariri Yawanawa fortalece o etnoturismo no Acre

Por Larissa Costa.

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O Festival Mariri Yawanawa, na Aldeia Mutum, localizada no Rio Gregório, no município de Tarauacá, iniciou no dia 1° e encerra nesta quinta-feira, 7 de setembro. Organizado desde 2013 pela Associação Sociocultural Yawanawa, o Mariri atrai muitos turistas do Brasil e do mundo.

O festival é uma grande celebração que reúne representantes das 17 aldeias do território indígena do Rio Gregório. São sete dias de canto, dança, cerimônia, jogos, brincadeiras, expressão artística, cura, manifestação cultural e espiritual do povo Yawanawa.

“E o Mariri não tem só o significado de festa, mas ele tem um significado espiritual, porque através dos cantos, nos conecta com os nossos ancestrais, nos conecta com a nossa espiritualidade e faz com que fortaleça a nossa cultura que na década de 90 vinha quase desaparecendo. Então na verdade os Yawanawa renasceram no século 21”, declarou o cacique Tashka Yawanawa.

Mariri Yawanawa é uma grande celebração que reúne representantes das 17 aldeias do território indígena do Rio Gregório (Foto: Alexandre Cruz-Noronha/Semapi)

O festival conta com o apoio do governo do Estado por meio da Secretaria de Turismo e Empreendedorismo (Sete), da Secretaria Extraordinária de Políticas Indígenas (Sepi) e da Secretaria do Meio Ambiente e das Políticas Indígenas (Semapi).

“Nós estamos aqui no festival dos Yawanawas e é muito importante, porque nós sabemos que o etnoturismo hoje está extremamente em alta. Os festivais dos nossos indígenas são diferenciados, isso embeleza o nosso estado, leva o nosso nome para outros países; a gente sabe que esses festivais são conhecidos mundialmente, um exemplo é a quantidade de turista que temos aqui no festival, de dentro e de fora do Brasil”, afirmou o secretário de Turismo e Empreendedorismo, Marcelo Messias.

O etnoturismo (turismo em terras indígenas) possibilita que os viajantes façam uma imersão nas práticas culturais, nos costumes, na história e no estilo de vida de um determinado povo, especialmente dos povos indígenas, oportunizado uma experiência enriquecedora e autêntica.

Etnoturismo permite que o visitante faça uma imersão nas práticas culturais, costumes, na história e no estilo de vida dos povos indígenas (Foto: Alexandre Cruz-Noronha/Semapi)

Imersão

Empresário da área de tecnologia o mineiro, de Uberlândia, Frederico Genovez viajou cerca de 48 horas para chegar na Aldeia Mutum. Ele ficou sabendo da aldeia quando participou de uma cerimônia na sua cidade que contou com a presença do indígena Tuikuru Yawanawa, que relatou como era a cerimônia na terra indígena. “Ele contou da aldeia dele, contou como era a cerimônia, eu achei muito bonito, comecei a procurar e vi no Instagram o festival”.

Frederico explicou que o desejo de fazer uma imersão como a do Mariri Yawanawa foi o que o motivou a procurar o evento. Quando surgiu a oportunidade de participar do festival precisou planejar tudo muito rápido, em duas semanas. Ele contou com a ajuda da guia do Grupos de Viagem Brasil, Renata Lucia Caldas, que tornou a sua chegada mais tranquila.

“Quando cheguei no aeroporto tinha um motorista me esperando, já me levou pro hotel, estava tudo organizado. Então chegar aqui pra mim, mesmo demorando, já estava tudo muito bem organizado. Pra quem está mais longe, vir ao festival sem ter um guia é muito difícil, porque tem essa questão de sair de uma cidade para outra”, afirmou.

Empresário Frederico Genovez viajou cerca de 48 horas para chegar na aldeia Mutum. (Foto: Alexandre Cruz-Noronha/Semapi)

O empresário comemorou seu aniversário na quarta-feira, 6. Ele conta que todo ano tenta fazer uma viagem de alguns dias antes ou depois da data, para refletir e planejar o próximo ano. Porém, esse ano resolveu passar o aniversário no festival, mesmo com o coração um pouco apertado, por não estar próximo dos familiares.

“Todos os dias que estou aqui estou tendo tempo para refletir, usando as medicinas também estou conseguindo dar uma clareada muito boa na minha vida e está me ajudando. Todo dia a noite eu anoto algumas coisas no caderninho que eu trouxe. Acho que até não teria nem como eu ter mais respostas do que as que já tive, e ainda tem mais uma semana. Parece que eu já vivi um mês aqui de tanta coisa, de intensidade”, disse.

Mesmo com a distância para chegar ao festival e passar seu aniversário longe dos seus familiares, Frederico ressaltou que essa está sendo uma experiência única.

“É uma energia muito boa, são muito receptivos, tudo muito bonito, o tempo todo cerimônia, festa, dança, eu estou maravilhado, em êxtase. Quando eu programei a viagem eu pensei: são sete dias, é muito tempo, vai chegar uma hora que eu já vou estar cansado. Mas estou o tempo todo revigorado, cheguei da viagem com energia alta, boa. Estou adorando”, contou.

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