Nesta quarta-feira, 26, o presidente da Bolívia, Luis Arce, convocou os bolivianos a se mobilizar contra uma tentativa de “golpe de Estado”, horas após pedir respeito à democracia ao denunciar “mobilizações irregulares” de militares em frente à sede presidencial em La Paz, na Praça Murillo, que também colocaram tanques nas ruas das principais cidades.
A Bolívia faz fronteira com o Brasil por três estados: Acre, Rondônia e Mato Grosso, e o possível golpe militar poderia afetar as relações entre os dois países de várias formas.
No estado de Rondônia, o governo brasileiro está construindo uma ponte sobre o Rio Guaporé, na divisa entre Guajará Mirim (BR) e Guyaramerin (BO). O valor da obra é estimado em R$ 430 milhões, e a construção acontece por ordem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como resgate de uma dívida do país com a Bolívia a partir do Tratado de Petrópolis, que anexou o território do Acre ao Brasil.

Militares em frente ao Palácio do governo da Bolívia na Praça Murillo, em La Paz — Foto: Juan Karita/AP
Luis Arce, que, conforme comunicaram os líderes militares, permanece no cargo “por enquanto”, é aliado do presidente deposto Evo Morales, muito ligado ao petismo e ao próprio Lula.
Caso o golpe se consolide na Bolívia, é possível que o governo brasileiro suspenda relações diplomáticas com os novos dirigentes bolivianos, suspendendo obras físicas e dificultando relações entre cidades como Puerto Suarez e Corumbá, no Mato Grosso, e em pelo menos em três pontos do Acre: na Cobija, Brasiléia e Epitaciolândia, e em Bolpebra, em Assis Brasil, na tríplice fronteira brasileira com a Bolívia e Peru.
Brasileiros residentes nos municípios de Capixaba e Plácido de Castro, que mantêm relações comerciais e culturais com a Bolívia, enfrentariam empecilhos. Além disso, milhares de brasileiros, principalmente acreanos, cursam medicina em faculdades da Bolívia. Concretizando-se o golpe, as fronteiras podem ser fechadas e os estudantes prejudicados.
- Com informações de Tião Maia.