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segunda-feira, julho 15, 2024

Idosa acreana faz sucesso com receitas e dicas de artesanato na internet: ‘Amo ensinar’

Por Redação O Juruá em Tempo.

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Vovó Laíres faz receitas caseiras para os 8 netos — Foto: Reprodução/Rede Amazônica

Há nove anos, a artesã acreana Laíres Mendonça da Rocha, de 61 anos, decidiu criar perfis em redes sociais para postar sobre a chegada do neto. O que, inicialmente, seria um perfil pessoal, acabou se transformando em plataformas com milhares de seguidores que acompanham as dicas de artesanato e de receitas da também doceira nas horas vagas.

A ideia de postar vídeos ensinando como fazer artes de costura começou enquanto cuidava do neto. Desde então, Laíres manteve seu canal e começou a publicar também suas receitas caseiras de bolos e biscoitos. Ela conta que adora ensinar, mas tinha muita vergonha de aparecer nos vídeos. Então a solução era gravar apenas suas mãos trabalhando.

“Eu via as pessoas ensinando, inclusive uma professora que hoje é minha professora de costura. Eu vi ela ensinando e me deu vontade de quem sabe ensinar também. E aí comecei a postar. No começo, só aparecia em minhas mãos porque eu tinha vergonha de aparecer. Depois fui aprendendo, me desenvolvendo e com a pandemia comecei a me envolver. Assisti live no Instagram, comecei a entrar nos grupos de artesanatos, fiz muitas amigas e aí os seguidores foram chegando”, afirma.

Com a chegada da pandemia, a artesã perdeu a vergonha e começou a postar mais sobre o seu trabalho no YouTube e Instagram, ensinando as técnicas para quem deseja aprender. Com crescimento orgânico, a Vovó Laíres, nome das redes sociais da idosa, já acumula mais de 8 mil seguidores nas duas plataformas e diz que conta com muitos admiradores do seu trabalho.

Atualmente, ela posta com frequência e diz que sente prazer no contato com seus seguidores que interagem nas dicas. “No YouTube, os vídeos têm que ser ensinando mais detalhado, às vezes demoro mais. Já no Instagram, posto todos os dias. Gosto muito de postar”, assegura.

Vovó Laíres costuma fazer lives costurando e ensinando a fazer seus famosos tapetes — Foto: Arquivo pessoal

Começar do zero

Laíres explica como a costura chegou à sua vida. Até 2005, ela era dona de uma loja com o marido com quem foi casada há 24 anos e, neste mesmo ano, o matrimônio acabou. Após dois anos separada, ela que morava em Cruzeiro do Sul, decidiu vir para Rio Branco.

Mãe de cinco filhos já adultos, ela precisava de algo para ter uma renda. A mãe de Laíres era uma ótima costureira, porém já estava idosa. Foi aí que ela teve a ideia de aprender com a mãe a costurar para fazer tapetes com retalhos.

“Tive a ideia de fazer os tapetes em tirinhas. Pegava malha nas malharias, fazia e depois fui me aperfeiçoando. Os retalhos que não serviam para os tapetes eu fazia as bolsas. Minha mãe me dava as dicas de costura”, afirma.

Pouco tempo depois, sua mãe faleceu e Laíres encarou o desafio de transformar a costura de tapetes em sua fonte de renda total. Atualmente, ela faz tapetes, bolsas e nécessaires, além de costurar roupas para a família.

“Tive que me virar sozinha. Por muito tempo paguei minhas despesas de aluguel e tudo mais com a renda dos tapetes. Hoje eu costuro roupas também, mas somente para casa, faço roupas somente para mim e minha filha”, explica ela.

Em seu aniversário, Laíres promoveu um desfile com peças de sua confecção — Foto: Arquivo pessoal
Em seu aniversário, Laíres promoveu um desfile com peças de sua confecção — Foto: Arquivo pessoal

Em seu aniversário de 61 anos, a artesã realizou o sonho antigo de sua mãe, que era fazer um desfile com suas confecções, mas não conseguiu realizar antes de sua morte. O evento, que foi chamado de “Um sonho de mãe”, aconteceu no salão de festas de um condomínio e contou com poesias e homenagens feitas por Laíres para a mãe, que foi uma inspiração para ela.

Para que o evento fosse um sucesso, a idosa teve ajuda de suas netas, sobrinhas e amigas que desfilaram com os looks confeccionados por ela.

“Minha mãe desenhava muito bem e ela tinha um sonho de apresentar um desfile de roupas feitas por ela, mas não realizou. Um dia, conversando comigo, ela me contou o início de tudo, de quando ela começou a costurar, e me falou sobre o seu sonho. Depois quando eu estava fazendo uma roupa de festas, lembrei e fiquei com essa vontade no meu coração”, diz.

  • Fonte: g1 AC.
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