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Liderança indígena do AC recorda entrega de oração do ‘Pai nosso’ na língua Yawanawá ao papa Francisco: ‘Grande xamã’

Por Redação Juruá em Tempo.28 de abril de 20254 Minutos de Leitura
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O indígena acreano Kate Yuve Yawanawa, conhecido como Pai Nani, relembrou o encontro que teve com o papa Francisco em agosto de 2023, quando entregou a oração do “Pai Nosso” na língua Yawanawá, da família linguística Pano. Pessoas de todo o mundo se despediram do pontífice que morreu na segunda-feira (21), no Vaticano.

O pajé explicou que a oração na língua materna teve a simbologia de união e respeito a diferentes culturas. Sobre a morte do Santo Padre, ele disse que é uma perda grande, não só de um aliado, mas também de um exemplo para o mundo.

“A gente sente muito porque não sabemos como será o outro Papa. Senti como se tivesse perdido um grande xamã, de grande conhecimento, que suas palavras eram curandeiras partiam do seu coração, do amor e todas as coisas do amor vêm de Deus. Mas temos que saber que é uma lei divina, que todos que nasceram irão fazer a passagem. É uma lei divina”, disse ele ao governo do Acre.

 

O encontro da liderança Pai Nani com o Papa Francisco ocorreu durante uma audiência geral do líder católico com fiéis no Vaticano. Em um quadro, o indígena fez a entrega da oração traduzida e falou rapidamente com o papa.

“O objetivo de ter feito esse trabalho é porque o papa era um senhor religioso conhecido no mundo inteiro e a palavra dele é uma que todo mundo gostaria de ouvir. Todos os povos da floresta respeitam o papa”, afirmou o líder.

O corpo do papa Francisco foi sepultado na basílica de Santa Maria Maggiore, em Roma, neste sábado (26). De acordo com o Vaticano, o rito de sepultamento teve início às 13h no horário local (9h em Brasília) e foi concluída cerca de 30 minutos depois. A cerimônia foi presidida pelo cardeal camerlengo, Kevin Farrell.

Pai Nani esteve com o papa em 2023 no Vaticano — Foto: Vatican Media
Pai Nani esteve com o papa em 2023 no Vaticano — Foto: Vatican Media

Papa e os povos originários

 

Para o líder indígena, ao defender os povos originários e a floresta Amazônica, o pontífice reforçou ao mundo a importância da região para o mundo e tornou a igreja católica mais inclusiva. O pajé ainda narrou que se sentiu honrado e agora sente muito a perda da liderança mundial para os povos do mundo.

“Daqui da floresta sinto muito a perda desse religioso. A entrega do Pai Nosso na nossa língua foi uma forma de dizer que os povos da floresta respeitam o papa. Para mim, foi um prazer, privilégio de pegar na mão dele e poder entregar uma oração conhecida no mundo inteiro para que ele entendesse que também temos o Pai Nosso em nossa língua”, disse ele a Agência de notícias do Acre.

 

Pai Nani também lembrou que o papa chegou a reconhecer o impacto da colonização aos povos originários. Durante um encontro com líderes indígenas no Canadá, em 2022, papa Francisco chegou a dizer: “Peço perdão humildemente pelo mal que tantos cristãos cometeram contra os povos indígenas”.

Do alto do Rio Gregório, na Aldeia Yawarãni, o povo Yawanawá exibe o encontro de 2023 om orgulho. Os pôsteres da entrega e do Pai Nosso emoldurados são expostos na aldeia, uma forma de lembrar do líder religioso que abriu diálogo com os povos originários, deixando um legado de respeito.

Ao longo de seu pontificado, o papa falou abertamente a favor da preservação da Amazônia e dos direitos dos povos indígenas, defendendo a importância de aliar os conhecimentos indígenas e a ciência no combate aos efeitos das mudanças climáticas.

A liderança destacou que em diversos discursos, o papa falou em favor dos povos originários e da importância para a preservação.

“O diálogo aberto entre o conhecimento indígena e as ciências, entre as comunidades de sabedoria ancestral e as das ciências pode ajudar a enfrentar questões cruciais como a água, as mudanças climáticas, a fome e a biodiversidade de uma forma nova, mais integral e mais eficaz”, discursou Francisco durante a conferência em março de 2024 no Vaticano.

Por: g1.
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