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Agro tem 341 empresas em recuperação judicial; setor de soja e pecuária puxam alta

Por Redação Juruá em Tempo.13 de maio de 20253 Minutos de Leitura
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O agronegócio fechou o 1º trimestre com 341 empresas em recuperação judicial, com predominância de companhias ligadas aos setores sucroalcooleiros, café, pecuária e soja. O levantamento é da consultoria RGF & Associados. No final do 1º trimestre de 2024, eram 247.

O setor do agro que registrou maior crescimento no número de ‘RJs ‘na comparação com o primeiro trimestre de 2024 foi o de cultivo de soja, de 68 para 124, segundo o Monitor RGF. Na segunda colocação vem o setor de criação de bovinos para corte, que viu esse número subir em menor nível: de 55 para 68.

O setor sucroalcooleiro, apesar de ter visto uma redução no número de empresas em RJ, ainda é o que registra o maior número. Somando as áreas de fabricação de açúcar, fabricação de álcool e cultivo de cana-de-açúcar, o setor tem 106 empresas em recuperação judicial. 

“Esse crescimento reflete um momento de forte pressão sobre a saúde financeira do setor, exigindo respostas rápidas e estratégias mais sofisticadas de gestão”, explicou Roberta Gonzaga, consultora da RGF e especialista em reestruturação.

Vale destacar que o aumento o número de recuperações judiciais também é observado nos outros setores. A indústria concentra o maior número (1.112), seguida pelo setor de serviços (1.105) e comércio (996).

Evolução do número de empresas do agro em RJ

Juros altos e custos de insumos: as causas da crise

A taxa básica de juros em 14,75% ao ano é apontada como o principal motivo para o elevado número de empresas do setor em recuperação judicial. Com a alta de 0,50 ponto percentual na última reunião em maio, a taxa de juros do Brasil é a maior desde 2006. Para a especialista, o setor é o que mais sofre em momentos de aperto monetário. 

“A taxa Selic, em patamares recordes nas últimas duas décadas, elevou significativamente o custo do capital, pressionando o caixa de produtores e agroindústrias”, acredita. 

De acordo com a especialista, outros motivos são: a postergação da adoção de uma gestão financeira mais estruturada e profissional por produtores, o aumento expressivo nos preços de insumos como fertilizantes e defensivos, volatilidade cambial, eventos climáticos extremos e queda na rentabilidade de algumas cadeias produtivas, como milho e soja, em algumas regiões do país. 

Por que o número deve continuar subindo?

Olhando para o menor crescimento da economia brasileira, aliada com os juros altos e a maior volatilidade do mercado internacional, a tendência é que o número de recuperações judiciais no agro siga aumentando em 2025. 

“É hora de o agronegócio profissionalizar ainda mais sua gestão financeira e adotar uma postura proativa diante dos riscos. A capacidade de antecipar problemas e agir com agilidade é decisiva para atravessar este período e garantir sustentabilidade no médio e longo prazo”, diz a especialista.

Por: Isto É.
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