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Um mês após tragédia com cerol, caso da bióloga Jéssica Souza segue sem avanços em Cruzeiro do Sul

Por Redação Juruá em Tempo.19 de agosto de 20253 Minutos de Leitura
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Um mês após a morte da bióloga Jéssica Souza, de 33 anos, atingida no pescoço por uma linha com cerol enquanto pilotava sua motocicleta em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre, as investigações ainda não apresentaram novos desdobramentos. A ausência de informações oficiais tem gerado inquietação entre familiares e moradores da cidade, que aguardam respostas sobre o caso que comoveu a comunidade.

Kelvin Vieira, policial militar e marido da vítima, afirmou que recebeu algumas informações da corporação, mas foi orientado a manter sigilo sobre os detalhes. Apesar disso, ele disse confiar no trabalho da polícia e espera que a verdade venha à tona.

Jéssica morreu no dia 19 de julho, após ter o pescoço atingido por uma linha cortante enquanto trafegava pela ladeira da Rua do Purus, nas proximidades da Escola Dom Henrique Ruth, no bairro João Alves.

No mês passado, a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias da morte e recebeu uma requisição formal do MP-AC, por meio da 2ª Promotoria de Justiça Criminal. O órgão determinou um prazo de 30 dias para a conclusão da investigação, com relatórios quinzenais e um documento final ao término. Entre as diligências previstas estavam a perícia no local do acidente, coleta de imagens de câmeras de segurança, registro fotográfico, oitiva de testemunhas e familiares, além da análise do tipo de linha utilizada, caso o material fosse localizado.

Diante disso, o principal desafio apontado pelos investigadores é identificar quem estava empinando a pipa no momento do acidente. Caso o responsável seja menor de idade, a responsabilização deve seguir o que prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). No entanto, até agora, nem o MP nem a Polícia Civil divulgaram detalhes sobre o andamento ou possíveis conclusões das investigações.

O uso de cerol, mistura cortante de cola com vidro moído, ou da chamada linha chilena, é proibido no Acre desde 2024, quando entrou em vigor a Lei Estadual nº 4.394. A legislação veda o uso, posse, comercialização, fabricação e importação dessas substâncias em qualquer contexto. Além disso, o Código Penal Brasileiro, no artigo 132, prevê pena de detenção de três meses a um ano para quem coloca outras pessoas em risco.

Nos últimos anos, o cerol deixou de ser apenas um “brinquedo perigoso” e passou a representar uma ameaça real à vida. Diversos estados brasileiros, incluindo o Acre, têm reforçado campanhas educativas e o Ministério Público tem cobrado ações mais efetivas das autoridades locais. Enquanto isso, a dor da família permanece, acompanhada da esperança de que a justiça seja feita e que a morte de Jéssica não se transforme em mais um caso sem solução.

Por: Nicolle Araújo, dO Juruá em Tempo.
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