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Não há mais espaços para família Bolsonaro ‘virar a mesa’

Por Redação Juruá em Tempo.26 de novembro de 20254 Minutos de Leitura
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A família Bolsonaro reduziu dramaticamente o espaço para conseguir aquilo que vem tentando fazer pelo menos desde 2022: virar a mesa. Não foi possível evitar uma derrota eleitoral, não deu certo o plano para sustar a transmissão do poder, e também não há sinais de que se vá conseguir impedir o cumprimento da condenação do mentor de tudo isso, Jair Bolsonaro, e dos que colaboraram com ele.

O Brasil segue o caminho da normalidade institucional, superando cada uma dessas tentativas fracassadas de golpe. Depois do trânsito em julgado da condenação de Bolsonaro e dos demais integrantes do núcleo crucial da trama golpista, não houve a comoção social com que contava a ala mais radical do bolsonarismo. Pelo contrário: o que se viu foi uma execução rápida e sem espetáculo das ordens de prisão daqueles que não fugiram como Alexandre Ramagem, ou não deram indícios de que pretendiam fugir como Bolsonaro.

Não é preciso dizer que a evasão de um e o gesto tresloucado do outro precipitaram o desfecho inevitável e estreitaram a possibilidade de que o Supremo Tribunal Federal (STF) analisasse o caso de Bolsonaro pela jurisprudência já registrada no caso do também ex-presidente Fernando Collor, que poderia lhe assegurar prisão domiciliar humanitária. Não foi culpa de Alexandre de Moraes, de Lula, de forças ocultas nem de ninguém. A culpa do destino de Bolsonaro é única e exclusivamente dele, de suas escolhas, de sua índole manifestada desde os tempos do Exército — antiestablishment, golpista e persecutória.

A percepção dessa circunstância parece ter se disseminado em franjas cada vez maiores do eleitorado antes disposto a contemporizar com absurdos cometidos pelo capitão enquanto foi presidente, inclusive, de forma espantosa, aqueles que agravaram a resposta do Brasil à pandemia de Covid-19.A narrativa de um Bolsonaro perseguido de forma inclemente por Moraes, e, por extensão, pelo STF, foi ficando cada vez mais restrita à bolha mais radicalizada.

Depois que ele próprio confessou ter empunhado um ferro de soldar para tentar tirar a tornozeleira eletrônica — por “curiosidade” ou “alucinação”, nas versões mutantes que apresentou —, nem os governadores de direita que pretendiam receber sua bênção se arriscam mais a defendê-lo. Romeu Zema chegou a dizer, no minuto seguinte ao trânsito em julgado da condenação, que os postulantes à candidatura presidencial são mais “moderados” que aquele de quem, até sábado, esperavam receber a unção.

Esse ritual também foi tremendamente dificultado pelo surto do patriarca e pela convocação da vigília em tons de guerra medieval pelo filho Flávio. Isso porque a prisão de Bolsonaro não prevê visitas políticas, como as que estava autorizado a receber nas próximas semanas pelo próprio Moraes. Mais: sua inelegilidade, que se estende agora até 2060, também se estende, de acordo com julgamentos do Tribunal Superior Eleitoral, à possibilidade de filiação partidária e ocupação de cargos (remunerados) de direção, como o que ele ocupa hoje no PL.

É claro que o clã deverá se encarregar de transmitir os desígnios de Bolsonaro e pressionará por anistia ou, no mínimo, pela dosimetria menor da pena, mas a normalidade que se seguiu à sua prisão e às demais desencorajará ainda mais Câmara e Senado a embarcar em mais essa treta com o Supremo. Nesta terça-feira, aliás, Hugo Motta e Davi Alcolumbre posavam sorridentes ao lado de Edson Fachin, e não se ouviu deles uma palavra de contrariedade pelo cumprimento das penas dos golpistas.

O Brasil precisa seguir adiante e não pode ficar preso com Bolsonaro, que cavou sozinho e de forma persistente o destino que colheu. O cumprimento inédito de penas por aqueles que tentaram usurpar o poder e interromper a democracia é um passo necessário para a consolidação do período mais longo de normalidade democrática de um país que já assistiu a viradas de mesa demais, mas agora parece cansado desse enredo.

Por: O Globo.
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