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Açaí transmite doença de Chagas? Saiba quando se preocupar

O açaí, fruto típico da região amazônica, é amplamente reconhecido por seu alto valor nutricional e pela presença de compostos antioxidantes associados à proteção celular e à redução do risco de doenças crônicas. No entanto, apesar de seus benefícios, o alimento já esteve envolvido em investigações de saúde pública relacionadas à transmissão oral da doença de Chagas, o que costuma gerar dúvidas entre os consumidores.

A doença de Chagas é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e, além da forma clássica de transmissão pelo inseto conhecido como barbeiro, pode ser transmitida pela ingestão de alimentos contaminados. No Brasil, especialmente na região Norte, estudos epidemiológicos mostram que a via oral responde pela maior parte dos casos agudos registrados nos últimos anos, muitos deles associados ao consumo de açaí ou caldo de cana preparados de forma artesanal.

A contaminação ocorre quando frutos são manipulados sem higiene adequada e entram em contato com o barbeiro ou com suas fezes, que podem conter o parasita. Esse risco está restrito, sobretudo, ao consumo de açaí in natura ou processado sem controle sanitário, geralmente em etapas noturnas de colheita e beneficiamento, período de maior atividade do inseto. Polpas industrializadas, pasteurizadas ou submetidas a técnicas como o branqueamento, que utiliza altas temperaturas, não oferecem esse risco, pois esses processos são capazes de eliminar o parasita.

Apesar dos registros de surtos ao longo dos anos, especialistas reforçam que não há motivo para alarme ou para excluir o açaí da alimentação. O consumo seguro depende da procedência do produto, da presença do selo da vigilância sanitária e do respeito às boas práticas de produção e armazenamento. O mesmo cuidado deve ser adotado com outros alimentos frescos, como o caldo de cana, que também já foi associado à transmissão oral da doença de Chagas em contextos de produção informal.

Assim, o risco existe, mas é específico e evitável. Optar por produtos fiscalizados e devidamente processados é suficiente para aproveitar os benefícios do açaí sem comprometer a saúde.

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