As transferências constitucionais e legais da União destinadas ao Acre superaram R$ 56,5 bilhões ao longo da última década, consolidando-se como uma das principais fontes de financiamento tanto do governo estadual quanto dos municípios. Os dados constam no painel Tesouro Transparente, com base em informações do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi).
O levantamento reúne repasses realizados entre 2016 e 2025, em valores nominais, e mostra uma trajetória de crescimento contínuo ao longo do período, com avanço mais expressivo a partir de 2020. Esse movimento foi influenciado por recomposições de fundos, complementações do Fundeb e pela liberação de auxílios financeiros extraordinários. Não há dados consolidados disponíveis para 2026.
No início da série histórica, em 2016, os repasses ao Acre somavam cerca de R$ 4 bilhões. Em 2019, o volume chegou próximo de R$ 4,5 bilhões, avançando para aproximadamente R$ 5 bilhões em 2020 e 2021. O crescimento se intensificou nos anos seguintes, com cerca de R$ 7 bilhões em 2022 e 2023, R$ 8 bilhões em 2024 e aproximadamente R$ 9 bilhões em 2025, o maior valor registrado no período analisado.
Do total transferido na década, a maior parcela corresponde ao Fundo de Participação dos Estados (FPE), que acumulou cerca de R$ 36,9 bilhões, evidenciando a forte dependência do Acre desse mecanismo de redistribuição de receitas federais.
Em seguida aparecem os recursos do Fundeb, com aproximadamente R$ 10,7 bilhões, destinados ao financiamento da educação básica. O Fundo de Participação dos Municípios (FPM) respondeu por cerca de R$ 6,6 bilhões, enquanto auxílios e apoios financeiros somaram pouco mais de R$ 500 milhões. Também integram o total repasses de menor volume, como complementações do Fundeb e royalties.
Distribuição por cidade
Na distribuição dos recursos, o governo do Estado do Acre concentrou a maior parte, com cerca de R$ 44,8 bilhões recebidos no período. Entre os municípios, Rio Branco liderou com aproximadamente R$ 5,15 bilhões, seguido por Cruzeiro do Sul, com cerca de R$ 940 milhões, e Tarauacá, com algo em torno de R$ 580 milhões.
Na sequência aparecem Sena Madureira, Feijó, Marechal Thaumaturgo, Rodrigues Alves e Brasiléia, todos com volumes acumulados entre R$ 300 milhões e R$ 500 milhões. Assis Brasil registrou o menor montante, com cerca de R$ 140 milhões.
O Tesouro Transparente ressalta que os valores referentes ao FPE, FPM, IPI-Exportação, ITR e Lei Kandir já consideram o desconto da parcela constitucional destinada ao Fundeb, o que garante maior precisão na comparação entre os anos analisados.

