O Brasil registrou queda nos assassinatos pelo quinto ano seguido: foram 34.086 casos de mortes violentas em 2025, contra 38.374 em 2024.
Segundo os números computados até terça-feira (20) pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, houve uma queda de 11%.
O número de 34.086 não inclui ainda os dados referentes ao mês de dezembro nos estados de São Paulo e Paraíba. Esses números não haviam entrado no sistema do governo federal até a publicação da reportagem, e não há prazo definido para isso.
Entre janeiro e novembro, SP registrou em média 228 mortes violentas por mês. Na Paraíba, a média foi de 79 casos por mês. Se a média se mantiver em dezembro, seriam cerca de 300 casos a mais no balanço nacional. Ainda assim, haveria uma queda anual de 10,4%.
Entram na conta como mortes violentas os casos de homicídios dolosos (quando há intenção de matar), feminicídios, latrocínios e lesões seguidas de morte. Os dados são enviados pelas secretarias estaduais de Segurança Pública ao governo federal, responsável pela divulgação.
Veja abaixo os números dos últimos anos:
Dados/Foto: Reprodução
Redução de assassinatos é tendência
Já são cinco anos consecutivos de redução nas mortes violentas, de 2021 a 2025, e uma queda acumulada de 25% desde 2020, primeiro ano da pandemia de Covid-19.
O recorde registrado na série histórica é de 2017, com mais de 60 mil assassinatos. Depois desse pico, os números caíram em 2018 e 2019, e voltaram a subir em 2020. Desde então, só houve quedas.
Rafael Alcadipani, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV) e integrante do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, explica que houve mudanças nas dinâmicas das facções criminosas, sem tantas guerras por territórios.
“Foi um ano em que o crime organizado esteve, digamos assim, mais tranquilo em termos de briga do que anteriormente. Tem políticas públicas também. Estamos perto da eleição e algumas ações na segurança são tomadas. São todos fatores que podem explicar”, afirma.
Silvia Ramos, coordenadora do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), segue a linha de que a diminuição de enfrentamentos entre facções, com a definição de controles em determinados territórios, contribui para que haja menos assassinatos.
“Como regra geral, quedas de mortes intencionais são resultantes de arranjos de facções, milícias e grupos armados”, diz.
Samira Bueno, diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, lembra que a tendência de queda vem desde antes da pandemia, com a exceção de 2020. Naquele ano, o aumento de assassinatos foi puxado pela região Nordeste.
“É uma tendência de queda que foi inaugurada em 2018 e, de lá para cá, só em um ano tivemos alta. É bom manter e sustentar a queda”, afirma.
Variações por regiões
A queda nacional nos homicídios também ocorreu nas cinco regiões do país.
- Sul: – 22% (passou de 3.935 mortes violentas em 2024 para 3.055 em 2025);
- Centro Oeste: – 18% (de 2.682 para 2.204);
- Norte: – 11% (de 4.304 para 3.829);
- Nordeste: – 10% (de 17.052 para 15.412);
- Sudeste: – 8% (de 10.401 para 9.586).
Considerando os estados, as maiores reduções foram em Mato Grosso do Sul (- 28%), Paraná e Rio Grande do Sul (- 24% em ambos os casos).
Por outro lado, Tocantins (17%), Rio Grande do Norte (14%) e Roraima (9%) registraram alta.
Bahia (3.900), Rio de Janeiro (3.581) e Pernambuco (3.023) lideram quando se considera o número absoluto de mortes violentas. Acre (204), Acre (179) e Roraima (139) tiveram os números mais baixos.
Vítimas por estado
Homicídios, feminicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte por estado por 100 mil habitantes/ Foto: Reprodução
Feminicídios no Brasil em 10 anos
País registrou recorde de casos em 2025/ Foto: Reprodução


