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Caso João Vitor: trio vai a júri popular por morte de jovem “julgado” por facção em Cruzeiro do Sul

Três pessoas foram pronunciadas a júri popular pela morte de João Vitor da Silva Borges, de 21 anos, ocorrida em 8 de março do ano passado, em Cruzeiro do Sul, no interior do Acre. A decisão é da 1ª Vara Criminal da Comarca do município e determina que os réus respondam por homicídio qualificado.

A pronúncia foi assinada pela juíza Gláucia Gomes e se refere aos três primeiros presos no caso. Segundo a Justiça, eles teriam participado tanto da motivação quanto da condução de João Vitor até integrantes de uma facção criminosa, utilizando uma amiga da vítima como intermediária. Os acusados seguem presos em Cruzeiro do Sul.

De acordo com a decisão, a participação dos pronunciados ficou comprovada por meio de imagens de uma chamada de vídeo realizada no local da morte. Com a pronúncia, também foi aberto o prazo para a interposição de recursos por parte do Ministério Público do Acre e das defesas dos acusados.

João Vitor morreu cerca de um mês após ter ajudado a imobilizar um homem durante uma abordagem da Polícia Militar no Centro de Cruzeiro do Sul. O episódio foi filmado por populares e teria gerado revolta entre membros de uma facção criminosa. O jovem desapareceu no dia 8 de março e teve o corpo encontrado três dias depois, às margens do Rio Juruá.

As investigações da Polícia Civil indicam que João Vitor pode ter sido assassinado em razão dessa abordagem. As imagens mostram o jovem aplicando um golpe conhecido como “mata-leão” em Gabriel Farias da Cruz, que estava deitado na via pública. Após a intervenção de outras pessoas, a situação foi contida. Na ocasião, a polícia não encontrou irregularidades e Gabriel foi liberado.

Ainda segundo a investigação, após ser solto, Gabriel teria exigido da facção criminosa uma punição pelo comportamento de João Vitor. Conforme o boletim da Polícia Civil, essa cobrança teria desencadeado as ações que culminaram no homicídio.

O inquérito aponta que João Vitor foi chamado por uma amiga para conversar com algumas pessoas e, em seguida, levado em um carro de aplicativo até o bairro Cohab. Em depoimento, Maria Francisca confessou que a ordem para matar o jovem partiu de um integrante do conselho rotativo da organização criminosa.

No local do crime, João Vitor teria sido submetido a um julgamento conhecido como “tribunal do crime”, realizado por meio de videochamada com outros integrantes da facção, que determinaram sua morte imediata. Maria Francisca afirmou ter deixado o local antes da execução, informação confirmada pela polícia.

O corpo do jovem foi localizado durante a Operação Oráculo, conduzida pela Polícia Militar com o objetivo de esclarecer o paradeiro da vítima. Devido ao avançado estado de decomposição, o corpo foi encaminhado diretamente do Instituto Médico Legal para o Cemitério Jardim da Paz, sem passar pelo necrotério.

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