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‘Chegou a hora’: Trump alerta Dinamarca por não afastar Rússia da Groenlândia

Por Reuters. 19/01/2026 08:15
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertou a Dinamarca porque o país “não conseguiu fazer nada” contra a presença da Rússia na Groenlândia. “Agora chego a hora, e isso será feito”, afirmou o republicano, em tom de ameaça, na sua rede social Truth Social.

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Segundo Trump, há 20 anos a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) avisa a Dinamarca para “afastar a ameaça russa na Groenlândia”.

A declaração ocorre após o republicano ameaçar aplicar mais 10% de taxa contra a União Europeia a partir do dia 1° de fevereiro, caso a Dinamarca não retribua “o favor de anos” entregando a área da Groenlândia.

Além disso, Trump afirmou que as tarifas devem subir para 25% em junho, e o tarifaço deve permanecer até o fechamento de um acordo para a “compra completa e total da Groenlândia” pelo EUA.

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Segundo o jornal Financial Times, devido às declarações, os países europeus ameaçaram importo uma retaliação tarifária de 93 bilhões de euros aos Estados Unidos. A reação chegou a ser discutida durante uma reunião emergencial convocada depois que Trump anunciou tarifas a países contrários à compra da região autônoma dinamarquesa.

Ainda em texto divulgado na Truth Social, Trump disse que o cenário deveria mudar diante do que classificou como uma ameaça crescente ao território. “China e Rússia querem a Groenlândia, e não há absolutamente nada que a Dinamarca possa fazer a respeito disso. Atualmente, eles têm dois trenós puxados por cães como proteção, sendo que um foi adicionado recentemente”, emendou.

O republicano ainda argumentou que, diante do desenvolvimento de novos sistemas de defesa — mencionando o projeto chamado “Golden Dome” –, a Groenlândia se tornaria ainda mais estratégica, inclusive para a proteção de países como o Canadá.

Prêmio Nobel da Paz

Donald Trump afirmou em uma mensagem escrita ao primeiro-ministro da Noruega, que não se sente mais obrigado a “pensar puramente na paz” por não ter recebido o Prêmio Nobel da Paz, e reiterou sua exigência de controle da Groenlândia.

A mensagem, amplamente compartilhada com outras nações pelo governo dos EUA, foi uma resposta a uma breve mensagem enviada a Trump pelo primeiro-ministro norueguês, Jonas Gahr Stoere, e pelo presidente finlandês, Alexander Stubb, opondo-se à sua decisão de impor tarifas a aliados europeus pela recusa em permitir que os EUA assumam o controle da Groenlândia, afirmou Stoere em um comunicado.

Em sua mensagem, Stoere e Stubb apontaram para a necessidade de reduzir a tensão e solicitaram uma conversa telefônica com Trump, segundo comunicado do premiê norueguês. A resposta de Trump veio pouco tempo depois do envio da mensagem.

“Caro Jonas: Considerando que seu país decidiu não me conceder o Prêmio Nobel da Paz por ter impedido mais de 8 guerras, não me sinto mais obrigado a pensar apenas na paz, embora ela sempre seja predominante, mas agora posso pensar no que é bom e apropriado para os Estados Unidos da América”, escreveu Trump em sua resposta, vista pela Reuters.

Trump fez campanha abertamente pelo Prêmio Nobel da Paz, que no ano passado foi concedido à líder da oposição venezuelana María Corina Machado.

“Expliquei diversas vezes claramente a Trump o fato notório de que é um Comitê Nobel independente, e não o governo norueguês, que concede o prêmio”, disse Stoere.

Corina Machado entregou sua medalha de ouro a Trump durante uma reunião na Casa Branca na semana passada, embora o Comitê Nobel Norueguês tenha afirmado que o prêmio não pode ser transferido, compartilhado ou revogado.

O Comitê Nobel não respondeu imediatamente a um pedido de comentário na segunda-feira.

Em sua mensagem a Stoere, Trump questionou novamente a soberania dinamarquesa sobre a Groenlândia, dizendo: “A Dinamarca não pode proteger essa terra da Rússia ou da China, e por que eles teriam um ‘direito de propriedade’, afinal?”

“Não há documentos escritos, apenas o fato de que um barco atracou lá há centenas de anos, mas nós também tivemos barcos atracando lá.”

A soberania dinamarquesa sobre a vasta ilha rica em minerais está documentada em uma série de instrumentos legais vinculativos, incluindo um tratado firmado em 1814. Os EUA reconheceram repetidamente que a Groenlândia faz parte do Reino da Dinamarca.

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