Milhares de cubanos foram às ruas de Havana na noite de terça-feira (27/01) em protesto contra as ameaças dos Estados Unidos contra a ilha caribenha durante a tradicional “marcha das tochas”.
Em meio às crescentes tensões entre Washington e Havana, após a operação militar americana que culminou com a captura, no início de janeiro, do então presidente venezuelano Nicolás Maduro , principal aliado político de Cuba na região, a marcha deste ano teve um tom “anti-imperialista”.
“Este não é um ato de nostalgia, é um chamado à ação”, discursou a jovem liderança política Litza Elena González Desdín, presidente da Federação de Estudantes Universitários. “Em momentos de ameaças, impõe-se a firmeza ideológica e a defesa da pátria”, afirmou à multidão reunida ao pé da escadaria da Universidade de Havana.
“Cuba vai cair muito em breve”
No mesmo dia, o presidente americano, Donald Trump , afirmou que “Cuba vai cair muito em breve”, durante uma viagem ao estado de Iowa. Desde a captura de Maduro, ele tem endurecido suas declarações públicas contra a ilha, em busca de um “acordo”, e sustenta que o fim do envio de petróleo venezuelano para Cuba agravará a crise econômica e provocará uma mudança de regime.
À frente da marcha, estava o presidente cubano, Miguel Díaz-Canel. O ministro do Exterior da ilha, Bruno Rodríguez, escreveu em suas redes sociais que milhares de cubanos, liderados por jovens, marcham nas ruas de Havana “em resposta às previsões de ‘queda’ de Trump”, com uma “posição anti-imperialista firme e inabalável”.
A mobilização é realizada tradicionalmente em 27 de janeiro, véspera do aniversário do herói nacional de Cuba, José Martí (1853-1895), e reproduz um desfile organizado na noite de 27 de janeiro de 1953 pelo então estudante Fidel Castro (1926-2016) e outros jovens, em desafio ao governo da época, de Fulgencio Batista.
(EFE, AFP)

