Um deslizamento de terra de grandes proporções provocado por chuvas torrenciais deixou uma grande área da cidade siciliana de Niscemi, na Itália, à beira de um barranco.
Desde o fim de semana, o solo vem cedendo em partes de Niscemi, uma cidade de 30 mil habitantes no sul da Sicília. Uma parte da cidade está à beira do colapso e ameaça deslizar.
O deslizamento de terra, com uma frente de 4 quilômetros que já obrigou mais de 1.500 pessoas a abandonarem suas residências, continua nesta quarta-feira (28/01), segundo autoridades. Elas avaliaram a situação como crítica.
Todos os habitantes de três bairros – Sante Croci, Trappeto e Via Popolo – tiveram que deixar suas residências. Cerca de 300 famílias foram realocadas para outras casas e um centro esportivo na cidade.
Niscemi, uma pequena cidade pitoresca no sudoeste da Sicília, situada numa colina e rodeada por prados e campos verdejantes, está praticamente isolada, com as principais vias de acesso fechadas.
Prédios à beira do abismo
As imagens impressionantes de prédios pendurados precariamente à beira de um precipício em Niscemi circularam por toda a Itália após o desabamento de uma grande área de terra devido aos vários dias de chuvas intensas.
Prédios estavam inclinados sobre a borda depois que grandes seções da encosta cederam. Um carro ficou com a frente virada para dentro do abismo.
“Sejamos claros: há casas na borda do deslizamento de terra que estão inabitáveis”, disse o chefe da Defesa Civil, Fabio Ciciliano. Ele acrescentou que os moradores das áreas afetadas terão quer deixar suas residências permanentemente.
“Assim que a água escoar e a seção em movimento parar ou diminuir a velocidade, uma avaliação mais precisa será feita. O deslizamento de terra ainda está ativo”, disse.
Críticas às autoridades
O evento lembra outro deslizamento de terra ocorrido na região há 29 anos, que danificou dezenas de edifícios, desalojou 117 famílias e transformou um bairro antes popular num subúrbio.
A ilha da Sicília é uma das áreas mais atingidas pela tempestade que colocou cinco regiões da Itália em alerta, quase todas no sul, e causou bloqueios de estradas e deslizamentos de terra.
A situação irritou muitos moradores, alguns dos quais dizem que as autoridades italianas não fizeram nada após situações semelhantes no passado. “Disseram-me que tenho que sair, mesmo que nada tenha [desabado] em casa ou abaixo dela”, disse Francesco Zarba. “Tivemos o primeiro deslizamento de terra há 30 anos, e ninguém fez nada.”
Ciclone Harry
Eventos climáticos extremos têm se tornado mais frequentes na Itália nos últimos anos. Inundações devastaram cidades em todo o país, matando dezenas de pessoas e aumentando os riscos de deslizamentos de terra e enchentes também em áreas que costumavam estar menos expostas.
O deslizamento de terra ocorreu durante o fim de semana, após o ciclone Harry ter devastado a Sicília, o sul da Itália continental e a Sardenha, deixando um rastro de destruição após fortes chuvas e ventos intensos. Os danos apenas na Sicília foram estimados em 1,5 bilhão de euros.
O governo italiano declarou estado de emergência nacional nas regiões da Calábria, Sicília e Sardenha devido à devastação causada pela passagem do ciclone Harry.
(Efe, Reuters, DPA)

