Início / Versão completa
Acre

Experiência com dengue influenciou respostas do Acre à Covid-19, aponta estudo canadense

Por A Gazeta do Acre. 13/01/2026 15:32
Publicidade

O estado do Acre apresentou respostas que se destacaram durante a pandemia da Covid-19, mesmo com ações um tanto fragmentadas em comparação a unidades da federação que acumulavam maior capacidade institucional em saúde pública antes da crise. A conclusão faz parte de um estudo conduzido pela pesquisadora Maria Alejandra Costa e pelo cientista político Éric Montpetit, da Universidade de Montreal, que analisou as decisões adotadas pelos governos estaduais durante a primeira onda da crise sanitária no país.

Publicidade

A pesquisa indica que a forma como os estados reagiram à crise sanitária esteve diretamente relacionada ao nível de capacidade estatal previamente existente, medida por investimentos em vigilância epidemiológica, estrutura técnica e composição dos comitês de assessoramento criados para orientar as decisões governamentais.

Estados como São Paulo e Ceará, que concentraram investimentos em epidemias anteriores, adotaram respostas mais estáveis e orientadas por especialistas. Já estados como Acre e Amapá apresentaram maior variação nas medidas ao longo do tempo.

Segundo o estudo, a capacidade estatal não se constrói durante a emergência. Ela resulta de decisões acumuladas ao longo de anos, especialmente em contextos de epidemias como dengue e Zika. Onde houve investimentos contínuos, formaram-se estruturas permanentes de produção e uso de dados em saúde, equipes técnicas especializadas e canais institucionais consolidados para o aconselhamento científico.

Publicidade

No caso do Acre, os pesquisadores identificaram menor capacidade epidemiológica acumulada antes da COVID-19. Isso se refletiu tanto no volume de recursos destinados à vigilância em saúde quanto na composição dos comitês criados para enfrentar a pandemia. Diferentemente dos estados com maior capacidade, onde especialistas em saúde pública tiveram centralidade, no Acre os grupos de trabalho incorporaram de forma mais equilibrada representantes de setores econômicos e sociais.

Apesar da estrutura prévia, o estado ainda foi fortemente impactado pela Covid-19. Foto: Reprodução

A análise mostra que, nesses contextos, as decisões passaram a considerar de maneira mais intensa informações relacionadas aos impactos econômicos da crise, reduzindo o peso relativo das recomendações técnicas da área sanitária. De acordo com os autores, essa característica contribuiu para respostas menos uniformes e mais sujeitas a mudanças ao longo do avanço da pandemia.

O estudo utiliza o conceito de “bolhas políticas” para explicar essas diferenças. Segundo essa abordagem, crises sanitárias anteriores levaram alguns estados a concentrar recursos de forma recorrente na área da saúde, especialmente em vigilância epidemiológica. Essa concentração gerou legados institucionais duradouros, como orçamentos mais robustos, quadros técnicos especializados e comitês decisórios dominados por especialistas. Esses legados influenciaram diretamente quais informações passaram a orientar as decisões durante a COVID-19.

Nos estados onde essas bolhas não se consolidaram, como o Acre, a capacidade de resposta foi mais limitada, mesmo que o desempenho tenha sido melhor do que o esperado. A ausência de estruturas técnicas consolidadas levou os governos a buscar informações em fontes mais diversas, incluindo setores produtivos, o que resultou em estratégias menos centradas exclusivamente na lógica sanitária.

A pesquisa analisou decretos e leis estaduais editados entre fevereiro e novembro de 2020, além da composição formal dos comitês de enfrentamento à pandemia. Os resultados mostram que estados com menor capacidade epidemiológica reduziram, ao longo do tempo, a incorporação explícita de recomendações de especialistas, mesmo com o agravamento da crise sanitária.

Confira o estudo na íntegra:

Conteúdo interativo removido automaticamente para manter a página AMP válida.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.