Uma conquista que ultrapassa o mérito individual e se transforma em símbolo coletivo. A jovem Olívia Natalina chamou atenção nas redes sociais após anunciar que foi aprovada em primeiro lugar no curso de Direito da Universidade Federal do Pará (UFPA). O vídeo publicado pela estudante rapidamente ganhou repercussão, não apenas pelo resultado acadêmico, mas pela história que carrega.
Olivia/ Foto: Instagram
Na publicação, Olívia faz questão de registrar suas origens e o significado da aprovação. Filha de agricultor quilombola, ela relembra a trajetória marcada pelo trabalho na terra, pela ancestralidade e pela luta diária. Segundo a jovem, a vitória representa mais do que um sonho pessoal: é uma conquista do povo quilombola e de todos que historicamente tiveram o acesso à universidade negado.
“Essa vitória não é individual, é coletiva. É do meu povo, é do quilombo que nunca se curvou”, escreveu. Para Olívia, ocupar o espaço universitário é também um ato de resistência e continuidade histórica.
O vídeo que acompanha a postagem traz um dos momentos mais emocionantes: ao lado do pai, a jovem ouve um relato carregado de orgulho e emoção. Agricultor rural, ele destaca os sacrifícios feitos ao longo dos anos e afirma ver na conquista da filha a realização de um sonho construído com esforço familiar.
Olivia e sua família/ Foto: Instagram
Na gravação, o pai afirma que a aprovação representa a materialização de tudo aquilo que ele e a mãe imaginaram para os filhos, ressaltando que a luta foi compreendida e retribuída. “Eu não tenho dúvida de que você vai muito longe”, diz, visivelmente emocionado.
A repercussão foi imediata. Internautas exaltaram a trajetória da estudante, destacando a importância da educação pública como instrumento de transformação social e de reparação histórica. Comentários ressaltam que a história de Olívia inspira outras jovens negras e quilombolas a acreditarem que a universidade também é um espaço de pertencimento.
Do chão da roça aos bancos da universidade, a história de Olívia Natalina reforça que ocupar esses espaços é mais do que um direito: é continuidade, memória e construção de novos caminhos.

