Um pedaço de rocha com a imagem do que parece ser um filhote de dinossauro intrigou os internautas. Ele foi parar nas mãos de um especialista em animais pré-históricos e viralizou nas redes sociais na última semana.
A foto mostra uma rocha marrom, oval e um pouco mais comprida que uma bola de futebol americano. Nela se destaca a imagem branca do que parece ser um “filhote de tiranossauro”, ou pelo menos um pequeno terópode, um tipo de dinossauro pertencente a um grupo de animais bípedes e carnívoros.
A cabeça, com seu olho detalhado e boca aberta, a cauda, as pernas e até mesmo os restos de um suposto saco vitelino, parecem sugerir que um dinossauro está impresso nesta pedra.
O paleontólogo e divulgador científico Dean Lomax, da Universidade de Bristol, no Reino Unido, especialista em ictiossauros (répteis marinhos do Mesozoico, mas não dinossauros) recebeu a estranha imagem e logo desvendou o mistério. “É a melhor rocha ‘será que encontrei um filhote de dinossauro?’ que já vi!”, escreveu nas redes sociais.
O que a foto mostra “não é um filhote de dinossauro, nem um fóssil”, mas “mineralização na rocha, que pode assumir muitas formas diferentes”, disse Lomax.
A mineralização é o processo que faz com que fluidos ricos em minerais se depositem em ou sobre as rochas, particularmente em fraturas, e quando cristalizam, dão origem a veios espetaculares e, às vezes, preciosos. As estruturas brancas são geralmente associadas ao quartzo ou à calcita, mas neste caso não há referência às características geológicas da rocha. O que se sabe é que esse processo levou à forma do dinossauro na pedra.
A imagem foi entregue a Lomax por Stuart Shaw. “Frequentemente recebo mensagens de pessoas pedindo para identificar fósseis que, na verdade, são rochas com formatos estranhos. O curioso, neste caso, é que esta rocha provavelmente tem o dobro da idade dos primeiros dinossauros”, disse Lomax.
Os primeiros dinossauros datam de aproximadamente 240 milhões de anos atrás, e a rocha encontrada por Stuart Shaw pode ter quase meio bilhão de anos. Não se sabe onde, como ou quando a pedra foi coletada.
A impressão de ser um dinossauro na pedra, por sua vez, revela o clássico efeito de pareidolia, um fenômeno psicológico relacionado à maneira como nosso cérebro busca imagens familiares em formas aleatórias, como as texturas de azulejos, nuvens, papel de parede ou casca de árvore. Essencialmente, nossos cérebros podem ver coisas que não estão lá, como o dinossauro impresso na rocha.

