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Ifac sofre corte de 7,16% e impacto no orçamento chega a R$ 1,8 milhão

A redução dos recursos destinados à educação federal no Orçamento de 2026, aprovada pelo Congresso Nacional, deve ter impacto direto no Instituto Federal do Acre (Ifac) e acende um alerta sobre a manutenção de serviços essenciais oferecidos pela instituição no estado. Em um cenário já marcado por altos custos operacionais e desafios logísticos, os cortes podem comprometer desde o funcionamento básico dos campi até políticas fundamentais de permanência estudantil.

Nos Institutos Federais, o orçamento discricionário — alvo da redução definida pelo Legislativo — é responsável por despesas indispensáveis do dia a dia, como pagamento de água, energia elétrica, vigilância, limpeza e manutenção predial. Esses recursos também sustentam ações estratégicas de ensino, pesquisa, extensão e inovação, além da assistência estudantil. Com menos verba disponível, a capacidade de manter esse conjunto de atividades passa a ser significativamente limitada.

Corte no Ifac equivale a quase um mês de funcionamento
No Acre, o impacto é concreto. O Ifac terá uma redução orçamentária de 7,16% em relação ao valor inicialmente previsto para 2026. Embora o percentual possa parecer modesto, o efeito prático é expressivo: um mês completo do orçamento anual da instituição corresponde a cerca de 8,33%, o que significa que o corte representa, na prática, a perda de quase um mês inteiro de funcionamento.

De acordo com o pró-reitor de Planejamento e Desenvolvimento Institucional do Ifac, Ubiracy Dantas, a redução atinge todas as áreas de forma proporcional. Estão incluídos os recursos destinados à assistência estudantil, ao fomento à pesquisa, ao custeio das contas básicas e ao apoio às atividades de ensino, pesquisa, extensão e inovação.

“O impacto direto no Ifac que apuramos até agora é de aproximadamente R$ 1,8 milhão. Quando analisamos toda a Rede Federal, esse impacto pode chegar próximo de R$ 200 milhões”, explicou o pró-reitor. Ele destaca que o corte ocorre em um contexto já adverso, marcado pelo reajuste de contratos pela inflação e pelo aumento contínuo dos custos de manutenção.

Entre os setores mais sensíveis à redução de recursos está a assistência estudantil, considerada essencial para a permanência dos alunos. No Acre, grande parte dos estudantes depende de auxílios para alimentação, transporte e moradia para continuar frequentando os cursos. A diminuição desses recursos pode afetar diretamente jovens de baixa renda, moradores da zona rural, comunidades indígenas e ribeirinhas, além de estudantes que percorrem longas distâncias até os campi do Ifac.

Projetos de pesquisa aplicada, ações de extensão voltadas às comunidades locais e iniciativas de inovação também correm o risco de sofrer retração, reduzindo o alcance social do Instituto e seu papel no desenvolvimento regional.

Diante do cenário, a Reitoria do Ifac manifesta preocupação com os reflexos dos cortes no médio e longo prazo. Para a gestão, a redução orçamentária não compromete apenas o funcionamento administrativo, mas atinge diretamente a missão social da instituição no Acre.

“O Ifac cumpre um papel fundamental no estado ao levar educação pública e de qualidade a quem mais precisa. Quando o orçamento é reduzido, não estamos falando apenas de números, mas de estudantes que podem perder apoio, de projetos que deixam de ser executados e de oportunidades que deixam de chegar às comunidades acreanas”, afirmou o reitor Fábio Storch de Oliveira.

Segundo ele, o desafio será manter a qualidade dos serviços e a presença do Instituto em todas as regiões do estado, mesmo diante das restrições. “É essencial que a educação continue sendo prioridade nas decisões orçamentárias do país, especialmente em estados como o Acre, onde o impacto social dos Institutos Federais é ainda mais significativo”, concluiu.

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