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Jovem negro condenado à morte aos 19 anos é inocentado décadas após execução nos EUA

Por Redação Juruá em Tempo.23 de janeiro de 20264 Minutos de Leitura
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Quase sete décadas após ser condenado e executado por um crime que não cometeu, o norte-americano Tommy Lee Walker foi oficialmente inocentado pelas autoridades do condado de Dallas, no Texas. Walker tinha apenas 19 anos quando foi sentenciado à morte pelo assassinato de Venice Parker, uma balconista branca, em um caso marcado por racismo, confissões obtidas sob coação e irregularidades no julgamento.

Em 1953, Walker foi preso e acusado de matar Parker, que havia sido violentada sexualmente e esfaqueada enquanto aguardava um ônibus após o expediente em uma loja de brinquedos. Ferida, ela conseguiu pedir ajuda a um motorista e foi levada a um hospital local, onde morreu em decorrência dos ferimentos. De acordo com pesquisas do Innocence Project, a vítima não conseguiu falar antes de morrer porque teve a garganta cortada. Ainda assim, o policial que a entrevistou momentos antes da morte alegou que ela identificou o agressor como um homem negro.

Dois indivíduos disseram à polícia que viram Walker na região naquela noite, embora nenhum deles tenha presenciado o crime, segundo cópia da decisão de 1956 do tribunal de apelação que negou o recurso da defesa, obtida pela revista People. A prisão só ocorreu quatro meses depois, efetuada pelo então chefe do Departamento de Homicídios da Polícia de Dallas, Will Fritz — apontado pelo Innocence Project como um membro da Ku Klux Klan, grupo terrorista dedicado à perseguição e assassinato de pessoas negras nos EUA.

Tommy Lee Parker, de 19 anos, em julgamento — Foto: Reprodução: Biblioteca Pública de Dallas
Tommy Lee Parker, de 19 anos, em julgamento — Foto: Reprodução: Biblioteca Pública de Dallas

Desde o início, Walker declarou inocência e apresentou um álibi: ele estava no hospital acompanhando o nascimento de seu primeiro e único filho. Dez testemunhas confirmaram o fato e depuseram no julgamento. Mesmo assim, após horas de interrogatório intenso — que incluíram ameaças de cadeira elétrica e a apresentação de supostas provas inexistentes — Walker acabou assinando duas declarações confessando o crime.

A primeira, segundo o Innocence Project, continha inúmeras imprecisões. A segunda foi desmentida pelo próprio Walker poucos instantes depois de assinada. Em nenhum momento, nem mesmo sob pressão, ele confessou o estupro de Parker.

“Hoje sabemos, por meio de décadas de pesquisas e de casos de condenações injustas, que as táticas usadas contra o sr. Walker — ameaças de pena de morte, isolamento e engano, além do racismo flagrante neste caso — aumentam o estresse e a exaustão mental de uma pessoa, colocando-a em risco significativo de fazer uma confissão falsa durante um interrogatório policial”, afirmou Lauren Gottesman, uma das advogadas do filho de Walker, Edward Smith.

O caso foi conduzido no tribunal pelo promotor distrital de Dallas à época, Henry Wade, que, segundo o Innocence Project, supervisionou a condenação de ao menos 20 homens negros inocentes durante sua gestão. No julgamento, Wade teria se recusado a entregar provas favoráveis à defesa, apresentado alegações falsas como se fossem fatos e chegou a depor como sua própria testemunha de acusação, declarando que sabia que Walker era culpado.

Condenado à morte, Walker teve o recurso negado. Apesar de Fritz ter afirmado que a assinatura da confissão o livraria da pena capital, o jovem foi executado na cadeira elétrica em 1956.

A reviravolta histórica veio após uma revisão abrangente do caso conduzida em conjunto pela Unidade de Integridade de Condenações da Promotoria do Condado de Dallas, pelo Innocence Project e pelo Projeto de Direitos Civis e Justiça Restaurativa da Faculdade de Direito da Universidade Northeastern. Em 21 de janeiro, o Conselho de Comissários de Dallas aprovou uma resolução que inocenta Walker e declara que ele foi condenado e executado injustamente pelo assassinato de Parker.

Para Edward Smith, o único filho de Walker, a decisão trouxe alívio tardio e dor renovada. “Foi difícil crescer sem um pai”, disse. “Quando eu estava na escola, as crianças falavam sobre seus pais, e eu não tinha nada a dizer. Isso não vai trazê-lo de volta, mas agora o mundo sabe o que sempre soubemos — que ele era um homem inocente. E isso traz um pouco de paz.”

 
Por: O Globo.
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