A vice-governadora do Acre, Mailza Assis (Progressistas), pré-candidata ao governo do Estado em 2026, afirmou que o lançamento da pré-candidatura do prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom (PL), criou uma concorrência dentro do mesmo grupo político, mas destacou que isso não muda seu propósito nem enfraquece sua caminhada.
Em entrevista ao ac24horas na tarde desta terça-feira (20), Mailza reconheceu o novo cenário interno, e com isso, não descartou apoiar ou obter o apoio de Bocalom num eventual segundo turno. As declarações foram dadas após o evento que tratou da assinatura do edital de credenciamento destinado à compra de mudas de café por meio do Programa Estadual de Compras Governamentais da Agricultura Familiar e Economia Solidária (Pecafes).
Mailza lembrou que apoiou Bocalom integralmente em 2020, quando ele foi eleito prefeito, e também nas eleições de 2024. “Apoiei pelo partido, com os recursos do partido, com os grupos que nós tínhamos. Em 2024, o grupo do governador também encampou a vitória do prefeito. O grupo sempre caminhou unido. Trabalhamos juntos em várias campanhas e vencemos eleições importantes”, ressaltou.

Foto: Whidy Melo/ac24horas
Segundo ela, no entanto, a unidade começou a ser tensionada no momento em que o prefeito decidiu disputar o governo. “O momento em que se questiona qual grupo vai permanecer, é quando ele resolve criar essa concorrência”, avaliou.
Sobre uma eventual reorganização do grupo no segundo turno na eleição deste ano, Mailza não descartou a união com Tião Bocalom, caso o cenário eleitoral leve a essa configuração. “Claro que, nessa condição de candidaturas, tudo o que é diálogo precisa ir até o fim e ser fortemente feito”, disse. Segundo ela, “tudo o que for para unir, melhorar e fortalecer o projeto é possível, sim”. A vice-governadora, porém, fez uma ressalva clara: qualquer entendimento futuro não pode significar abrir mão de sua candidatura. “Desde que isso não signifique que eu retire minha candidatura ou abra mão do projeto que está sob minha responsabilidade para fortalecer um projeto que não me inclui”, destacou.
Foto: Whidy Melo/ac24horas
Apesar disso, a vice-governadora fez questão de afirmar que a decisão de Bocalom é legítima e faz parte do processo político. “É um direito do prefeito. Ele tem o trabalho dos seus dois mandatos e acredita que pode ser governador”, disse. Para Mailza, no entanto, essa escolha não interfere em seu planejamento. “Isso não frustra o meu propósito, não frustra o meu sonho e nem o meu planejamento de governar o nosso Estado”, declarou.
Ao falar sobre sua capacidade de enfrentar os desafios propostos, Mailza foi enfática. “Sempre dei conta do que quis fazer”, afirmou. Ela reconheceu que o caminho nunca foi fácil, mas destacou que dificuldades fazem parte da vida pública. “Não posso dizer que não encontrei dificuldades e nem que foi fácil. Tudo depende muito da sua dedicação, da sua boa vontade, das parcerias, dos recursos e da compreensão do outro”, explicou. Para a vice-governadora, “tudo é uma questão de diálogo e de muita força de vontade”.
Foto: Whidy Melo/ac24horas
Mailza também comentou sobre a transição do Legislativo para o Executivo, ressaltando que administrar exige ainda mais proximidade com as pessoas. “O mandato legislativo é muito diferente do Executivo, e o Executivo aproxima muito mais. Isso vai criando laços, amizades e dá condições de perceber o que está à frente e como resolver questões que envolvem política, administração e relacionamentos”, afirmou. Segundo ela, embora o governador Gladson Cameli conduza as principais decisões, sua atuação como vice tem sido de acompanhamento constante. “Eu sei do tamanho da responsabilidade que está sobre mim, mas confio muito na nossa equipe e na minha intenção de continuar os trabalhos que estão dando certo”, disse.
A vice-governadora ressaltou ainda que sua pré-campanha tem sido bem recebida nos municípios. “Está indo muito bem, com muito apoio”, afirmou, ao destacar a permanência nos municípios como uma marca de sua atuação. Nesse contexto, Mailza disse que conta com o eleitorado feminino, maioria no Estado. “Nós somos mais de 50% do eleitorado. Claro que considero isso um ponto positivo”, declarou. Ela acrescentou que pretende ampliar políticas públicas voltadas às mulheres. “Quero contar com o apoio e a defesa das mulheres e trabalhar fortemente para elas, fortalecendo ainda mais as políticas públicas que precisam dessa atenção”, afirmou.