Ícone do site O Juruá Em Tempo

Marido clama por justiça após babá brasileira ser morta pela patroa em Portugal

José Teodoro, marido da babá brasileira Lucinete Freitas, assassinada pela patroa em Portugal, clama por justiça e reivindica a divulgação do nome da acusada, presa em Lisboa.

— Meu clamor é por justiça, porque o que ela fez é algo muito forte para se fazer com outro ser humano. As pessoas têm o direito de reivindicar justiça — disse ele ao Portugal Giro.

Formado em tecnologia da informação e logística, ele contou que foi informado por um agente da Polícia Judiciária (PJ) que o nome da mulher só poderia ser divulgado com autorização:

— Gostaria que o nome dela fosse estampado, mas fui informado que só com autorização do Tribunal ou do Ministério Público a PJ pode divulgar. Eu sei quem é e mapeei as redes sociais, mas sigo a lei.

Lucinete foi assassinada com um golpe de um bloco de cimento na cabeça e a patroa é a única suspeita, mas o brasileiro entende que uma divulgação poderia atrapalhar a investigação.

— Ninguém ainda sabe se tem pessoas ligadas indiretamente, seja por negligência ou por omissão. Eu não duvido de nada — declarou.

A maneira como Lucinete foi brutalmente assassinada foi revelada esta semana pelo Ministério Público e o corpo da babá continua em Portugal.

José se informou que o Governo Federal poderia pagar o traslado devido ao decreto assinado em junho pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após a morte da brasileira Juliana Marins na Indonésia.

Antes do decreto presidencial, o Governo Federal não pagava pelo repatriamento de corpos de brasileiros mortos no exterior.

— Porém, disseram que falta a regulamentação das novas normas no orçamento — disse José.

O brasileiro afirmou que o atestado de óbito não está pronto e que conta com ajuda do Itamaraty para tentar destravar diplomaticamente a burocracia.

— Está tudo muito travado, não anda nada, ninguém ajuda. É um documento que depende de outro documento…

Procurado, o Itamaraty ainda não respondeu.

Relembre o caso

A Polícia Judiciária (PJ) confirmou em 16 de dezembro que a brasileira Lucinete Freitas, de 55 anos, foi encontrada morta. A suspeita do homicídio também é brasileira e seria a contratante de Lucinete, que era babá.

Segundo o comunicado da PJ, “o corpo da vítima foi deixado no local do crime (Amadora/Lisboa), uma zona erma e com mata, coberto com objetos para o ocultarem. O crime terá ocorrido por motivo fútil”.

Lucinete estava desaparecida em Portugal desde 5 de dezembro. Ela teria dito à família que iria visitar um imóvel no Algarve e parou de responder mensagens e chamadas.

“Após intenso e ininterrupto trabalho de investigação, foi possível alcançar consistentes elementos indiciários que permitiram encontrar o cadáver da vítima e identificar, localizar e deter a suspeita”, diz a PJ.

A suspeita, de acordo com a PJ, é “uma mulher de 43 anos, de nacionalidade brasileira”. Foi detida “por fortes indícios da prática de um crime de homicídio qualificado”.

Onde está Francisca?

Lucinete é a segunda brasileira que estava desaparecida em Portugal. Francisca Maria Santos, de 44 anos, teria sido vista pela última vez há quase seis meses, em 20 de junho.

O artista plástico Antônio José, irmão da brasileira, que trabalhava em um restaurante em Tabuaço, foi a Portugal procurar a irmã e colaborou com as investigações da Polícia Judiciária.

Apesar do apoio que diz ter recebido, José criticou a demora na resposta inicial ao desaparecimento. A PJ fez buscas na casa do companheiro de Francisca, mas não revela detalhes.

Mensagens de texto e e-mails teriam sido apagados do computador da brasileira que foi entregue à PJ, segundo José, que recebeu chantagem de um suposto sequestrador.

Sair da versão mobile