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O troco de aliados de Bolsonaro no STF

Após a polêmica decisão do ministro Gilmar Mendes, que dificultou o avanço de pedidos de impeachment contra integrantes do Supremo Tribunal Federal (STF), aliados de Jair Bolsonaro passaram a discutir no bastidores do Senado Federal a elaboração de uma PEC para dar o troco na Corte. O objetivo é aumentar o número mínimo de votos exigidos para aprovar os indicados para assumir uma vaga no STF – dos atuais 41 para 54, o equivalente a ⅔ da Casa.

O assunto foi discutido em um almoço no mês passado em Brasília, segundo relataram ao blog quatro parlamentares ouvidos em caráter reservado, mas com o recesso parlamentar ainda não houve avanços nas tratativas.

De acordo com eles, a ofensiva não está diretamente relacionada às dificuldades do governo Lula em garantir a aprovação para o STF do advogado-geral da União, Jorge Messias, que enfrenta resistência entre alguns parlamentares da oposição que o veem como “quadro ideológico do PT” e “homem de confiança do Lula e da Dilma”.

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A proposta seria mais uma forma de o Senado “retaliar” o Supremo, após o ministro Gilmar Mendes dar uma decisão, há um mês, em que esvaziava o poder de parlamentares e de cidadãos comuns de pedirem a cassação de magistrados, deixando essa prerrogativa apenas nas mãos da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Após forte pressão da opinião pública e do Congresso, Gilmar voltou atrás nesse ponto, mas manteve um outro trecho da decisão em que determinava que são exigidos 54 votos para abrir um pedido de impeachment contra ministros do STF, e não mais maioria simples.

“Se for aumentar [o número de votos exigidos] para [abrir] impeachment [contra ministro do STF], tem que aumentar para aprovação da indicação. Essa é a lógica, mas não está relacionada ao Messias”, disse ao blog um dos senadores envolvidos nas discussões.

“Se é 54 votos pra tirar [cassar um ministro do STF], é 54 votos para entrar [no STF] também”, concorda outro parlamentar.

A decisão de Gilmar foi interpretada nos bastidores da Corte como uma espécie de vacina para as eleições de outubro deste ano, quando aliados de Bolsonaro planejam formar maioria no Senado e desengavetar os mais de 80 pedidos de impeachment contra ministros do STF que aguardam análise do plenário.

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