O custo da cesta básica apresentou queda em todas as capitais brasileiras no segundo semestre de 2025. É o que indica o balanço divulgado nesta terça-feira, 20 de janeiro, pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com base nos dados da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos, realizada em parceria com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese).
O estudo compara os preços praticados entre julho e dezembro e aponta variações negativas em todas as 27 capitais monitoradas.
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A maior redução percentual foi registrada em Boa Vista (RR), onde o valor da cesta básica recuou 9,08% no período. No outro extremo da tabela aparece Belo Horizonte (MG), com queda de 1,56%.
Entre esses dois pontos estão capitais como Brasília (DF), com retração de 7,65%, Florianópolis (SC), com 7,67%, e Campo Grande (MS), onde a redução foi de 2,16%.
A divulgação marca seis meses desde o início da ampliação da pesquisa, que passou a abranger todas as capitais do país a partir de agosto de 2025. Até então, o acompanhamento era restrito a 17 cidades.

Política agrícola e oferta de alimentos explicam queda da cesta básica, diz Conab
Segundo o presidente da Conab, Edegar Pretto, os números refletem decisões adotadas na política agrícola nos últimos anos. De acordo com ele, os dados mostram que o aumento da oferta de alimentos voltados ao mercado interno teve impacto direto nos preços pagos pelos consumidores. Em declaração sobre o levantamento, Pretto afirmou que os resultados estão relacionados aos investimentos feitos no setor agropecuário, com foco na produção destinada ao consumo no país.
Entre os instrumentos citados pelo dirigente estão os Planos Safra, tanto o voltado à agricultura empresarial quanto o direcionado à agricultura familiar. Este último, segundo a Conab, voltou a ser executado na atual gestão.
Pretto afirma que, nos últimos três anos, os dois programas operaram com volumes elevados de recursos e linhas de crédito com taxas reduzidas, o que contribuiu para o financiamento da produção agrícola.
Ainda conforme a avaliação da estatal, esse conjunto de fatores levou a um aumento da produção agrícola em 2025, o que se refletiu na disponibilidade de alimentos e, posteriormente, nos preços observados nos pontos de venda. A Conab destaca que a pesquisa acompanha itens considerados básicos para a alimentação das famílias e serve como referência para análises sobre custo de vida e renda do trabalho.
No recorte por capitais, Boa Vista lidera o ranking de quedas no segundo semestre. O valor da cesta básica na cidade passou de R$ 712,83 em julho para R$ 652,14 em dezembro, uma diferença de R$ 60,69 no período.
Em Manaus (AM), a retração foi de 8,12%, com o custo saindo de R$ 674,78 para R$ 620,42, o que representa R$ 54,36 a menos ao fim do ano. Fortaleza (CE) aparece em seguida, com variação negativa de 7,90%. Na capital cearense, o valor médio caiu de R$ 738,09 para R$ 677 entre julho e dezembro.
Na parte inferior do ranking estão Belo Horizonte (MG), Macapá (AP) e Campo Grande (MS). As três capitais registraram reduções mais próximas, de 1,56%, 2,10% e 2,16%, respectivamente, considerando o acumulado dos seis meses analisados. Apesar disso, nenhuma capital apresentou aumento no custo da cesta no período.
A análise regional também mostra diferenças no ritmo de queda. No Norte, Boa Vista concentrou a maior retração. No Nordeste, Fortaleza liderou entre as capitais da região. No Centro-Oeste, Brasília foi a cidade com maior redução percentual, com queda de 7,65%. Já no Sul, Florianópolis apresentou a variação mais expressiva, com recuo de 7,67%. No Sudeste, Vitória (ES) teve a maior diminuição no período, com baixa de 7,05% no valor da cesta básica.
A ampliação da coleta de dados é apontada pela Conab como um avanço no acompanhamento do mercado de alimentos. Com a inclusão das 27 capitais, a pesquisa passa a oferecer um retrato mais completo do comportamento dos preços no país. Segundo a estatal, a iniciativa está alinhada às diretrizes da Política Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional e da Política Nacional de Abastecimento Alimentar.
Os resultados mensais da Pesquisa Nacional de Preço da Cesta Básica de Alimentos começaram a ser divulgados de forma contínua a partir de agosto de 2025. Desde então, os dados vêm sendo utilizados por gestores públicos, pesquisadores e entidades sindicais como base para análises sobre inflação, poder de compra e condições de vida da população nas diferentes regiões do Brasil.