A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou o início de uma reestruturação estratégica da segurança nacional, estabelecendo prazo de 100 dias para a elaboração e apresentação do “Plano de Defesa da Nação”.

O anúncio foi feito durante evento em que Delcy Rodríguez foi reconhecida como comandante-chefe da Força Armada Nacional Bolivariana (FANB), três semanas após a operação militar norte-americana em que o presidente Nicolás Maduro e sua mulher, Cilia Flores, foram capturados e levados para os Estados Unidos (EUA).
“Tiveram de procurar uma potência nuclear para tentar subjugar a soberania do povo venezuelano. O extremismo não conseguiu, não conseguiu e não conseguirá. Está nas nossas mãos e peço a todas as entidades envolvidas, máxima cooperação, máximo desempenho para que, num prazo de 100 dias, tenhamos as diretrizes muito claras do novo sistema defensivo para a Venezuela, em perfeita união civil, militar e policial”, disse.
Delcy Rodríguez citou Simón Bolívar (político e militar venezuelano que liderou a independência da Venezuela, Bolívia, Colômbia, do Peru, Equador e Panamá do império espanhol) e pediu que esse mesmo espírito de luta se apodere dos venezuelanos apara abrir os novos caminhos necessários à defesa da pátria.
“Devemos aprender com os infortúnios. Devemos compreender. E é por isso que decidi criar um gabinete nacional para a defesa e a segurança cibernética da Venezuela, que estará vinculado ao Conselho de Vice-Presidentes.
Segundo ela, à frente desse gabinete nacional estará uma cientista, a professora Gabriela Jiménez, ministra da Ciência e Tecnologia.
“Peço aos cientistas, especialistas em tecnologia da Venezuela, juntamente com o Conselho Científico Militar, que essas grandes capacidades no âmbito da defesa da ciência e da tecnologia se unam para defender o nosso espaço cibernético”, disse.
Delcy Rodríguez deixou ainda “uma mensagem clara para o extremismo na Venezuela e suas conexões internacionais”: “Por meio do programa de coexistência democrática e paz, abrimos um espaço para o diálogo político, que venham todos os que realmente amam a Venezuela”.
“Mas aqueles que pretendem perpetuar os danos e a agressão contra o povo da Venezuela que fiquem em Washington, porque aqui não vão entrar para prejudicar a paz e a tranquilidade da República. Haverá lei e haverá justiça”, afirmou.
A dirigente acrescentou que seu país está disposto ao entendimento, ao diálogo, mas não a outra agressão. “Aqui será aplicada a lei, no respeito pela Constituição”.
Rodríguez voltou a pedir a liberdade do presidente Nicolás Maduro e da sua mulher.
Em 3 de janeiro de 2026, os Estados Unidos lançaram um ataque contra a Venezuela para capturar o líder venezuelano e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até que seja concluída uma transição de poder.
Delcy Rodriguez, então vice-presidente, assumiu a presidência interina do país com o apoio das Forças Armadas.
Nicolás Maduro e Cília Flores prestaram breves declarações num tribunal de Nova York para responder às acusações de tráfico de droga, corrupção e lavagem de dinheiro e se declararam inocentes. A próxima audiência está marcada para 17 de março.

