Início / Versão completa
Política

Presidente do Supremo, Fachin pressiona por código de conduta

Por redação O Juruá em Tempo. 26/01/2026 07:49
Publicidade

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, defendeu com veemência a necessidade de a Corte adotar um Código de Conduta próprio para reforçar a transparência e a integridade institucional, alertando que a autolimitação é preferível a qualquer imposição vinda de fora.

Publicidade

Em entrevista concedida na última sexta-feira (23) e repercutida amplamente nesta segunda-feira (26 de janeiro de 2026), Fachin afirmou que o debate sobre regras éticas ganhou nova urgência após episódios recentes que colocaram sob escrutínio a conduta de ministros, especialmente reportagens que questionaram viagens e relações do ministro Dias Toffoli com atores ligados ao caso do Banco Master — incluindo voos compartilhados com advogado de um dos envolvidos e estadas frequentes em resort associado a interesses financeiros investigados. 

“Ou nós encontramos um modo de nos autolimitarmos, ou poderá haver eventualmente uma limitação que venha de algum poder externo, e não creio que o resultado seja bom”, declarou o presidente da Corte. Ele enfatizou que a medida não deve ser tomada “de forma açodada”, mas reconheceu a “urgência” do tema sem demonstrar “pressa” para forçar uma decisão imediata.

Fachin destacou que a maioria dos ministros concorda com a necessidade de um código, mas parte significativa prefere adiar a discussão para depois de 2026, por se tratar de ano eleitoral — período em que as instituições ficam mais expostas a polarizações. “Reconheço que esse argumento é sólido”, admitiu, mas contrapôs: “O Brasil vive um estado de normalidade democrática. Quem atentou contra a democracia foi processado, punido, condenado e está preso. Portanto, não seria um momento demasiadamente ruim para discutir essa questão.” 

Publicidade

O presidente insistiu na transparência como regra fundamental: “Tudo sobre a mesa”. Ele citou o exemplo pessoal — sua filha é advogada — para rebater o que chamou de “filhofobia”: “Por que um filho deve mudar de profissão quando o pai vira juiz? Não precisa. Agora, precisa ter transparência. Faz o quê? Advoga onde? Em que termos? Em quais ações? Tudo isso tem que estar transparente.” 

A proposta de código, segundo interlocutores do STF, envolveria diretrizes claras sobre conflitos de interesse, participação em eventos privados, uso de benefícios e obrigações de divulgação pública de relações que possam afetar a imparcialidade. Fachin descreveu a iniciativa como “uma medida de defesa do próprio Tribunal” e “evolução desse aprendizado institucional”, rejeitando qualquer tom de “moralismo barato”.

A declaração surge em um contexto de crescente pressão externa — abaixo-assinados, manifestações de entidades da sociedade civil e críticas na imprensa — pela adoção de normas mais rígidas no Supremo, especialmente após episódios que alimentaram debates sobre a imagem da Corte. Fachin evitou comentar condutas individuais de colegas, mas deixou claro que o tema é “de natureza ética” e envolve “limites e possibilidades das escolhas que cada ministro faz no seu plano individual, por atos não jurisdicionais, que têm efeitos institucionais”.

Analistas veem na postura de Fachin uma tentativa de equilibrar a preservação da autonomia do Judiciário com a resposta a demandas por maior accountability em um momento de alta exposição pública das decisões e atitudes dos ministros. Resta saber se o colegiado encontrará consenso para avançar ainda em 2026 ou se o calendário eleitoral prevalecerá como obstáculo. 

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.