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Cientista brasileira desafia a medicina e faz seis tetraplégicos voltarem a andar

Uma descoberta liderada pela cientista Tatiana Coelho de Sampaio, professora e pesquisadora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, está trazendo novas perspectivas para o tratamento de lesões medulares — condições historicamente consideradas irreversíveis.

Após mais de 25 anos de pesquisa conduzida de forma silenciosa, o trabalho ganhou repercussão nacional recentemente ao revelar resultados promissores na recuperação de movimentos em pacientes com paraplegia e tetraplegia.

O que é a polilaminina

A inovação desenvolvida pela equipe foi a polilaminina, uma molécula capaz de estimular a reconexão de neurônios danificados.

O projeto começou em 1998, no Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular da UFRJ, onde os pesquisadores produziram, em laboratório, uma versão modificada da laminina — proteína natural essencial para a comunicação entre células nervosas.

Produzida a partir de laminina derivada da placenta humana, a polilaminina atua orientando o crescimento das fibras nervosas e favorecendo a formação de novos circuitos neurais.

Resultados promissores

Em testes iniciais com oito voluntários, entre paraplégicos e tetraplégicos, seis recuperaram movimentos.

Um dos casos mais emblemáticos foi o de um paciente paralisado do ombro para baixo que voltou a caminhar de forma independente.

Avanço para estudos clínicos

Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária autorizou o início do estudo clínico para avaliar a segurança do tratamento. Nesta etapa, voluntários recebem a proteína diretamente na área lesionada, com o objetivo de estimular a regeneração neural.

A trajetória da pesquisadora

Chefe do Laboratório de Biologia da Matiz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ, Tatiana Sampaio é professora da universidade desde 1995. Natural do Rio de Janeiro, realizou pós-doutorado na Universidade de Illinois (EUA) e também na Alemanha.

Além do impacto científico e humanitário, a inovação gerou, em 2023, cerca de R$ 3 milhões em royalties, o maior valor já registrado pela UFRJ. A trajetória, contudo, enfrentou obstáculos: cortes de verbas contribuíram para a perda da patente internacional da substância.

Ciência, investimento e futuro

Mais do que um avanço biomédico, a polilaminina simboliza o potencial transformador da ciência brasileira, e reforça que o futuro da inovação depende diretamente das escolhas e investimentos feitos hoje.

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