Acostumada a cuidar do sorriso de seus pacientes, a dentista Caroliny Augusta Faria da Conceição Gonçalves, de 46 anos, viu sua vida mudar ao receber o diagnóstico de câncer de mama, há pouco mais de um ano. Neste 4 de fevereiro, Dia Mundial do Câncer, ela compartilha sua história não apenas como profissional da saúde, mas como uma mulher que enfrentou a tempestade para redescobrir o valor de cada dia.
Em entrevista ao portal A GAZETA, Caroliny abriu o coração e contou como foi autodiagnosticar uma doença que mudaria totalmente sua rotina. Aos 44 anos, ela realizava a troca de uma prótese mamária quando notou algo diferente.
“Eu descobri o câncer em 2024, após uma cirurgia de troca de prótese de silicone. Quatro meses após o procedimento, senti um carocinho que parecia a ponta de uma agulha. A princípio, não foi detectada alteração, mas, oito meses depois, voltei ao médico porque já sentia um segundo ponto. Como ainda não podia realizar a mamografia, o diagnóstico veio através do ultrassom e da biópsia. Em novembro de 2024, recebi a confirmação do carcinoma”, relembra.
Após o diagnóstico, a dentista iniciou, imediatamente, o tratamento, que consistiu em cirurgia para retirada do tumor, quimioterapia e radioterapia. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que, quando diagnosticado e tratado na fase inicial, as chances de cura chegam a 95%. Vale destacar que o tratamento varia conforme o tipo de tumor e a idade da paciente, a doença, embora rara (1% a 3% dos casos), também pode acometer homens.
Para Caroliny, a descoberta foi um choque que testou todas as suas estruturas. Ser da área da saúde não a tornou imune ao medo, mas ofereceu a clareza necessária sobre a urgência de agir. “A gente nunca está preparada. Você estuda, cuida dos outros, mas quando o diagnóstico vem para você, o chão foge. O primeiro pensamento é na família, nos filhos, mas logo a mente entende que é preciso lutar”, disse.
A jornada da superação

O tratamento exigiu que a dentista se afastasse temporariamente de seu consultório. No entanto, ela encontrou na própria disciplina profissional uma aliada para enfrentar as sessões de quimioterapia e o pós-operatório. O recesso forçado não foi um distanciamento de sua essência, mas uma preparação para retornar ainda mais forte.
O diagnóstico foi também um momento de profunda entrega espiritual. Ao receber o resultado, sua primeira reação foi colocar a vida sob proteção divina. “Sempre tive a certeza de que Deus estava ali ao meu lado. Fui conduzida pelo Espírito Santo durante toda a minha trajetória. Incrível como Deus me deu um bálsamo para o coração”, relata.
A rede de apoio, formada por amigos e familiares, foi o alicerce que a manteve firme. Durante o processo, a acreana compreendeu a importância do acolhimento: “O câncer me ensinou que a vulnerabilidade também é uma forma de força. Aceitar ajuda e ser cuidada foi um dos maiores aprendizados”.
Em processo de remissão, Caroliny leva uma vida ainda mais saudável. Ela avalia ter sido preparada previamente para o desafio. “Antes do diagnóstico, já havia começado uma alimentação melhor e atividades físicas. Uma das orientações para o tratamento era exatamente o que eu já vinha fazendo. Isso ameniza os desconfortos”, conta.
Como dentista, ela sempre reforçou o autocuidado aos pacientes. Agora, sua voz ganha um novo peso: “Não esperem a ventania chegar para arrumar a casa; arrumem-na, diariamente, para que os impactos sejam menos agressivos. Cuidem do seu templo, que é o seu corpo”, alerta.
‘O que é verdadeiro permanece’
Como diria Murilo Gun: “o que não é bênção é lição”, e Caroliny afirma que o câncer a permitiu enxergar a vida por novas lentes. “Minha percepção mudou. Compreendi o que e quem realmente importa. Os de verdade permanecem durante toda a jornada”, diz.
Neste Dia Mundial do Câncer, o sorriso de Caroliny é um símbolo de esperança. Sua história prova que, embora a tempestade seja devastadora, é possível emergir dela com a luz de um novo arco-íris, pronta para continuar inspirando vidas.