Erfan Soltani, o jovem manifestante de 26 anos, foi libertado da prisão, no sábado, 31, sob fiança. Ele foi preso em 8 de janeiro durante os protestos no Irã e estava recluso desde então. A notícia foi confirmada por um grupo de direitos humanos e pela mídia estatal iraniana.
Segundo a IRIB, emissora estatal, Erfan havia sido acusado de “reunião e conspiração contra a segurança interna do país” e “atividades de propaganda” contra o Irã. O Departamento de Estado dos EUA e um familiar do jovem disseram que autoridades iranianas tinham intenções de executá-lo, mas o judiciário do Irã desmentiu essa afirmação.
Pouco tempo depois, a família voltou a comentar o caso afirmando que a execução estava adiada. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, garantiu que havia recebido a informação de que o Irã realmente não iria executar o manifestante. Trump ainda afirmou que os EUA tomaria medidas enérgicas caso o país matasse manifestantes.
A Hengaw, organização de direitos humanos e a emissora estatal Press TV confirmaram a informação de que Erfan foi libertado. À AFP, o advogado do jovem, Amir Mousakhani, disse que foi paga uma fiança de dois bilhões de tomans (cerca de R$ 66 mil).
Segundo informações do portal IranWire, o jovem havia sido preso perto de sua casa no distrito de Fardis, em Karaj. Ao longo de três dias, a família não teve notícias sobre a sua localização.
Quem é Erfan Soltani
Aos 26 anos de idade, Erfan Soltani trabalhava na indústria de vestuário e tinha acabado de entrar em uma nova empresa privada. Seus conhecidos descrevem o ativista como um verdadeiro apaixonado pelo universo da moda e estilo pessoal. Em suas redes sociais, ele demonstrava ser um homem adepto a musculação, esportes e mantinha uma vida aparentemente pacata.
Como tudo começou
Os protestos desencadearam como uma reclamação à inflação desenfreada que assola o Irã. Primeiramente estabelecidas entre bazares da capital Teerã, as manifestações logo se espalharam pelo resto do território. De acordo com analistas, é recorrente que um acontecimento ou insatisfação seja estopim para reivindicações maiores e gerais contra o regime dos aiatolás, como ocorreu em 2022, com a morte da jovem Mahsa Amini por uso incorreto do hijab.
A situação econômica no país islâmico é drástica, incluindo disparada de preços de alimentos e proibição de que importadores acessem dólares americanos. O governo chegou a divulgar medidas para amenizar a situação, mas os conflitos já haviam tomado proporção nacional. Essa diversidade territorial, segundo explica o professor de Relações Internacionais da ESPM Gunther Rudzit, é a grande pedra no sapato do governo, uma vez que as frentes são múltiplas e difundidas.

