O Acre registrou 145 casos de crianças e adolescentes desaparecidos ao longo de 2025, conforme dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública. O número representa uma taxa de 16,40 casos por 100 mil habitantes no estado.
Do total de ocorrências, 89 registros são do sexo feminino, 49 do sexo masculino e 7 não possuem informação sobre o sexo no sistema.
A análise mensal indica variação no número de casos ao longo do ano. Janeiro contabilizou 3 desaparecimentos, seguido por 9 em fevereiro e 11 em março. Em abril, foram 12 registros, enquanto maio teve 9 casos. O número voltou a subir em junho, com 14 ocorrências.
O maior volume foi registrado em julho, com 21 casos. Em agosto, foram 14 registros, e setembro contabilizou 8 desaparecimentos. Outubro voltou a apresentar alta, com 20 casos, seguido por 16 registros em novembro. Dezembro encerrou o ano com 8 ocorrências.
Os dados integram o levantamento oficial do Sinesp, alimentado pelas forças de segurança pública, e são utilizados para o acompanhamento estatístico dos casos de desaparecimento de crianças e adolescentes no Acre.
Caso de bebê desaparecida
Entre os registros, um dos casos que mais repercutiram no Acre foi o da bebê Cristina Maria, que tinha apenas três meses de vida quando o desaparecimento foi comunicado às autoridades. A ocorrência ganhou destaque após a morte da mãe da criança, Yara Paulino da Silva, de 28 anos, no Conjunto Habitacional Cidade do Povo, em Rio Branco.
Yara foi morta em via pública após a circulação de boatos de que teria matado a própria filha. O corpo da mulher foi encontrado depois de agressões, e a suspeita inicial de que restos mortais da criança estariam em um saco de ração foi descartada após perícia do Instituto Médico Legal, que identificou tratar-se de ossada de animal.
A bebê segue desaparecida e teve o caso incluído na plataforma Amber Alert, sistema que divulga informações sobre crianças desaparecidas por meio de alertas em redes sociais e outros canais digitais. Até o momento, Cristina Maria não foi localizada.
Durante as investigações, a polícia levantou a possibilidade de que a criança tenha sido entregue ilegalmente a terceiros. Também foi confirmado que a bebê não possuía registro de nascimento, após tentativa frustrada dos pais em um cartório, devido a inconsistências na documentação apresentada. O procedimento não foi retomado posteriormente.
O caso permanece em aberto e integra as estatísticas oficiais de desaparecimento de crianças no estado.

