”Quero ajudar outras pessoas a se encontrarem assim como eu me encontrei na terapia”.
É assim que a estudante Thalita Silva, de 18 anos, define o sonho que tem desde criança e que começa a se concretizar após a aprovação no curso de psicologia da Universidade Federal do Acre (Ufac).
Diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a jovem foi aprovada após um ano inteiro de dedicação aos estudos e depois de alcançar 900 pontos na redação do Enem 2025. Em sua rotina, ela conciliava a rotina com a produção de bichinhos de pelúcia de crochê, atividade que começou como forma de terapia e acabou se tornando também uma fonte de renda.
Os resultados foram divulgados pela Ufac na última segunda-feira (2) em uma lista de seleção por meio de processo próprio com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Ao g1, a jovem contou que o momento de conferir o resultado foi marcado por muita ansiedade e que ela tinha medo de não passar.
“Eu acreditava que talvez passaria, mas também tinha muito medo de não passar. O site oscilou bastante no dia e isso me deixou ainda mais ansiosa. Foi minha irmã que viu primeiro e quando a gente percebeu que meu nome estava na lista, foi uma surpresa muito grande. Eu nem consegui chorar na hora. Só depois a ficha caiu”, relatou.
Diagnosticada com TEA em 2022, durante muitos anos a jovem enfrentou dificuldades no ambiente escolar, incluindo episódios de bullying e falta de compreensão.
A realidade começou a mudar quando passou a estudar em uma escola onde, segundo a família, encontrou acolhimento e suporte pedagógico adequados.
Para a mãe, Janaina Duarte da Silva, a aprovação da filha é motivo de orgulho. “Estou feliz e, ao mesmo tempo, com medo do que vem pela frente, mas acredito que ela vai se sair bem”, disse.
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Rotina
A rotina de estudo da jovem foi dividida da seguinte forma: aulas do ensino médio pela manhã, artesanato e atendimento aos clientes à tarde e à noite cursinho preparatório para o Enem. Essa rotina era seguida de segunda a sexta.
Aos sábados, Thalita se dedicava a fazer simulados ou participava de aulões no cursinho. O descanso era apenas aos domingos.
Apesar de gostar de escrever, ela diz que sempre teve mais afinidade com a área de humanas e com o hábito da leitura, que contribuiu para a aprovação. Ainda assim, manteve uma disciplina rígida na preparação para a redação.
“Eu treinava toda semana, fazendo temas em casa e também era acompanhada em um cursinho gratuito da Ufac, o MedAprova, que foi essencial nesse processo”, explicou.
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Expectativas
A mãe de Thalita ressaltou que a trajetória da filha, da escola regular até a universidade, foi marcada por desafios.
“Com todas as dificuldades, desafios, preconceito, bullying e traumas que ela sofreu, Thalita se tornou mais forte”, completou Janaína.
Após a confirmação da aprovação, o sentimento, segundo a estudante, foi de muita felicidade, alívio e gratidão. Thalita contou ainda que está com boas expectativas para o curso.
“Eu me sinto muito feliz e grata por tudo o que estudei no ano passado, pelas pessoas que acreditaram em mim e me apoiaram. Psicologia sempre foi um sonho desde pequena. Eu tenho certeza que eu vou gostar muito das matérias do curso e vou ter muita sede de aprender. Isso foi o que eu sempre busquei”, afirmou.

