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Estudante autista que conciliava estudos com artesanato é aprovada em psicologia na Ufac

Por Redação Juruá em Tempo.6 de fevereiro de 20263 Minutos de Leitura
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”Quero ajudar outras pessoas a se encontrarem assim como eu me encontrei na terapia”.

É assim que a estudante Thalita Silva, de 18 anos, define o sonho que tem desde criança e que começa a se concretizar após a aprovação no curso de psicologia da Universidade Federal do Acre (Ufac).

Diagnosticada com Transtorno do Espectro Autista (TEA), a jovem foi aprovada após um ano inteiro de dedicação aos estudos e depois de alcançar 900 pontos na redação do Enem 2025. Em sua rotina, ela conciliava a rotina com a produção de bichinhos de pelúcia de crochê, atividade que começou como forma de terapia e acabou se tornando também uma fonte de renda.

Os resultados foram divulgados pela Ufac na última segunda-feira (2) em uma lista de seleção por meio de processo próprio com base nas notas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

Ao g1, a jovem contou que o momento de conferir o resultado foi marcado por muita ansiedade e que ela tinha medo de não passar.

“Eu acreditava que talvez passaria, mas também tinha muito medo de não passar. O site oscilou bastante no dia e isso me deixou ainda mais ansiosa. Foi minha irmã que viu primeiro e quando a gente percebeu que meu nome estava na lista, foi uma surpresa muito grande. Eu nem consegui chorar na hora. Só depois a ficha caiu”, relatou.

Diagnosticada com TEA em 2022, durante muitos anos a jovem enfrentou dificuldades no ambiente escolar, incluindo episódios de bullying e falta de compreensão.

A realidade começou a mudar quando passou a estudar em uma escola onde, segundo a família, encontrou acolhimento e suporte pedagógico adequados.

Para a mãe, Janaina Duarte da Silva, a aprovação da filha é motivo de orgulho. “Estou feliz e, ao mesmo tempo, com medo do que vem pela frente, mas acredito que ela vai se sair bem”, disse.

Estudante Thalita Silva, de 18 anos, tirou 900 na redação do Enem 2025 — Foto: Arquivo pessoal

Rotina

A rotina de estudo da jovem foi dividida da seguinte forma: aulas do ensino médio pela manhã, artesanato e atendimento aos clientes à tarde e à noite cursinho preparatório para o Enem. Essa rotina era seguida de segunda a sexta.

Aos sábados, Thalita se dedicava a fazer simulados ou participava de aulões no cursinho. O descanso era apenas aos domingos.

Apesar de gostar de escrever, ela diz que sempre teve mais afinidade com a área de humanas e com o hábito da leitura, que contribuiu para a aprovação. Ainda assim, manteve uma disciplina rígida na preparação para a redação.

“Eu treinava toda semana, fazendo temas em casa e também era acompanhada em um cursinho gratuito da Ufac, o MedAprova, que foi essencial nesse processo”, explicou.

Thalita começou a fazer crochê para ajudar no tratamento do autismo e acabou descobrindo um dom — Foto: Arquivo pessoal

Expectativas

A mãe de Thalita ressaltou que a trajetória da filha, da escola regular até a universidade, foi marcada por desafios.

“Com todas as dificuldades, desafios, preconceito, bullying e traumas que ela sofreu, Thalita se tornou mais forte”, completou Janaína.

Após a confirmação da aprovação, o sentimento, segundo a estudante, foi de muita felicidade, alívio e gratidão. Thalita contou ainda que está com boas expectativas para o curso.

“Eu me sinto muito feliz e grata por tudo o que estudei no ano passado, pelas pessoas que acreditaram em mim e me apoiaram. Psicologia sempre foi um sonho desde pequena. Eu tenho certeza que eu vou gostar muito das matérias do curso e vou ter muita sede de aprender. Isso foi o que eu sempre busquei”, afirmou.

Por: g1.
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