O Tesouro Nacional anunciou nesta segunda-feira uma nova operação de captação de recursos em dólares no mercado externo. A iniciativa prevê a emissão de um título com prazo de 10 anos, com vencimento em 2036, e a reabertura de um papel de longo prazo já existente, com vencimento em 2056.
De acordo com o órgão, a operação faz parte da estratégia de fortalecer a presença dos títulos soberanos brasileiros no mercado internacional, ampliando a liquidez da curva de juros em dólar e criando referência para empresas que buscam financiamento no exterior. A captação também tem como objetivo antecipar recursos para o pagamento de compromissos futuros da dívida pública em moeda estrangeira.
A operação ocorre num momento em que investidores globais estão fazendo uma “rotação de carteiras”, diversificando seus recursos e destinando parte dos dólares antes destinados ao mercado americano a outros países. Entre os emergentes, o Brasil se destaca nesta atração de dólares, até por ter taxas de juros relativamente mais altas.
Nesta segunda-feira, refletindo este movimento global, o dólar opera em queda de 0,67% e já chega a R$ 5,18, nas mínimas do pregão. A cotação também é influenciada pela perspectiva de ingresso de mais recursos com a captação do Tesouro Nacional.
Operações deste tipo feitas pelo governo costumam facilitar as captações no exterior de empresas privadas brasileiras, o que eleva ainda mais o fluxo cambial para o país.
A coordenação da emissão do Tesouro Nacional ficará a cargo dos bancos HSBC, JP Morgan, Santander e Sumitomo Mitsui Banking Corporation (SMBC). Os papéis serão ofertados no mercado global, e o volume financeiro da operação deverá ser divulgado ao final do dia.
O Tesouro informou ainda que o governo brasileiro registrou junto à Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos (SEC) a documentação necessária para a oferta, incluindo o prospecto com informações detalhadas aos investidores. Segundo o órgão, os recursos obtidos com a operação serão destinados à administração da dívida pública federal.

