A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, está levando a cabo uma mudança profunda no governo do país com a eliminação de sete programas sociais e organismos que haviam sido estabelecidos no chavismo – quatro deles criados por Nicolás Maduro, noticiou a imprensa nesse domingo (15/02). O antecessor de Rodríguez foi capturado durante uma operação militar americana em Caracas, realizada no dia 3 de janeiro.
A presidente interina tem como objetivos realizar mudanças ministeriais, uma reforma da legislação petrolífera e uma histórica lei de anistia, cuja aprovação está prevista para a próxima semana.
Há um mês, ela nomeou o capitão Juan Escalona, guarda-costas de Maduro, para chefiar o Gabinete da Presidência, que cuida da agenda presidencial e serve de elo com os diferentes órgãos do Estado.
Um boletim oficial datado de 9 de fevereiro e divulgado pela imprensa local no domingo informa uma “reorganização do funcionamento” desse ministério, com a eliminação de cinco programas sociais e duas entidades de coordenação e inteligência do Estado.
Entre essas medidas, destaca-se o desmantelamento do Centro Estratégico de Segurança e Proteção da Pátria (Cesppa), criado em 2013 durante o primeiro mandato de Maduro para unificar informações sobre temas estratégicos como defesa, inteligência e ordem interna.
Organizações de direito civil denunciavam que o órgão restringia o acesso à informação no país. “Funcionava como um centro de monitoramento e repressão para o regime”, afirmou o analista político Walter Molina Galdi, em entrevista ao jornal espanhol El Mundo.
Fim dos programas sociais
O novo governo da Venezuela também eliminou três programas sociais conhecidos como “missões”, criados durante o governo de Maduro. Os outros dois programas e um órgão suprimidos foram estabelecidos e fortalecidos durante o mandato do popular presidente Hugo Chávez (1999-2013). Algumas funções dos programas eliminados serão reatribuídas a outro ministério, diz o Diário Oficial.
As “missões” do chavismo implementavam desde subsídios alimentares e econômicos até ajudas na área da saúde, habitação e educação, concebidas para aliviar as necessidades da população mais vulnerável. Esses programas foram a bandeira primeiro de Chávez e depois de seu sucessor, Maduro.
Críticos consideram, no entanto, que elas promovem a opacidade, a corrupção e a coação social como parte do aparato repressivo do Estado.
Relações com os EUA
Rodríguez promove mudanças no governo ao mesmo tempo em que dá uma reviravolta nas relações com os Estados Unidos, que estavam rompidas desde 2019.
Donald Trump, que afirmou estar no comando da Venezuela após a captura de Maduro, garante ter um bom relacionamento com a governante. Na sexta-feira (13/02), o presidente dos Estados Unidos disse que Rodríguez está fazendo “um ótimo trabalho”.

