Às vésperas da apuração dos desfiles das escolas de samba, o Salgueiro divulgou uma nota por meio de suas redes sociais em que afirma “sua plena confiança na realização de julgamentos justos” e destaca que confia na “lisura, no comprometimento e na condução séria” da Liesa e de seu presidente, Gabriel David. Por trás desse comunicado, está o inconformismo do patrono do Salgueiro, o bicheiro Adilson Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, com o resultado do carnaval de 2025, em que a agremiação sequer voltou para o desfile das campeãs.
Foragido da Justiça, o contraventor chegou a relacionar as notas recebidas pelo Salgueiro à má relação que mantém com os bicheiros da “velha guarda” do jogo bicho, como Ailton Guimarães Jorge, o Capitão Guimarães, patrono da Vila Isabel, e Anísio Abrahão David, da Beija-Flor, expondo, assim, um racha na cúpula de contraventores.
Durante a interceptação de uma ligação feita pela Polícia Federal, e tornada pública em 2022, Adilsinho manifestou intenção de criar um novo comando do jogo. “O ‘verde e branca’ falou comigo de fazer uma nova organização. Só que eu não consigo falar com ele. Eu também quero, eu também quero poder”, disse. Segundo a corporação, “verde e branca” seria uma referência a Rogério Andrade, patrono da escola de samba Mocidade Independente de Padre Miguel, que tem as cores em sua bandeira.
Essa nova cúpula, na visão de Adilsinho, teria como objetivo superar a antiga, criada em 1970, e apaziguar os conflitos entre os bicheiros a partir de uma divisão clara de territórios entre seus integrantes.
Com a divulgação da ligação, as relações entre Adilsinho e a “velha cúpula” estremeceram e, a partir do carnaval de 2025, o patrono do Salgueiro optou pela discrição: pedindo para retirarem as menções a seu nome da quadra e do barracão e para integrantes da escola evitarem citar seu nome em entrevistas e pronunciamentos, com o objetivo de tentar desvincular seu nome da escola, em uma aposta de que os jurados possam ser mais generosos com a agremiação neste ano.
Quem é Adilsinho
Em dezembro de 2025, a DHC (Delegacia de Homicídios da Capital) indiciou Adilson sob suspeita de ser um dos mandantes dos homicídios de Marco Antônio Figueiredo Martins, o “Marquinho Catiri”, e de Alexsandro José da Silva, o “Sandrinho”, por disputa na exploração de jogos de azar. Na época, o setor de inteligência da polícia apontou que Adilsinho estaria fora do País.
Os crimes aconteceram em novembro de 2022, na comunidade do Guarda, em Del Castilho, Zona Norte do Rio. As vítimas estavam associadas ao contraventor Bernardo Bello, acusado de comandar um esquema de exploração de jogo do bicho e caça-níqueis no Centro da cidade e em bairros das zonas Norte e Sul do Rio de Janeiro. Com os assassinatos, o grupo de Bello teria perdido os pontos para Adilsinho, que teria assumido a exploração dos jogos nas regiões citadas.
“As informações obtidas ao longo da investigação permitiram identificar uma sequência de homicídios praticados pela organização criminosa comandada por Adilsinho, sendo todos eles motivados por questões relacionadas à disputa pela exploração ilegal de cigarros ou de jogos de azar, em especial caça-níqueis e jogo do bicho”, informou a polícia.
*Com informações do Estadão Conteúdo

