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Influenciadora acreana supera linfoma de Hodgkin e relata luta contra o câncer: “Escolhi ser exemplo”

Há momentos em que a vida, em sua velocidade habitual de cliques e notificações, decide impor um silêncio absoluto. Para a influenciadora acreana Maxine Silva, de 31 anos, esse silêncio chegou em abril de 2024.

O diagnóstico de Linfoma de Hodgkin não veio apenas como uma notícia médica; veio como um inverno rigoroso e inesperado. Mas, para quem traz a fé como bússola, o inverno não é o fim, é apenas o estágio que antecede a primavera, um preparo para a transformação e purificação das raízes.

“Mesmo assustada e com medo, eu sempre tive a certeza de que ia dar tudo certo no final. Existe alguma coisa dentro de mim que me diz que as coisas sempre vão dar certo; que, independentemente do que fosse mesmo sendo um câncer, eu ia conseguir vencer”, relembra a influenciadora.

O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que se origina nos linfonodos (gânglios), com alta taxa de cura: 90% em diagnósticos precoces. Afeta principalmente jovens de 15 a 40 anos e idosos acima de 75 anos, com tratamento baseados em quimioterapia e, às vezes, radioterapia – como foi o caso de Maxine.

A força que ressurge da alma

Influenciadora acreana supera linfoma de Hodgkin e relata luta contra o câncer: “Escolhi ser exemplo”
Maxine durante o tratamento (Foto: Arquivo Pessoal)

Apesar da incerteza do que estava por vir, a coragem de Maxine não permitiu que o câncer definisse quem ela era. Pelo contrário, decidiu ser ponte para tantas outras e usou sua voz e imagem — antes dedicadas ao cotidiano leve das redes sociais — para humanizar a dor.

Em agosto de 2024, ao iniciar o tratamento contra a doença com a quimioterapia, a acreana também deu o pontapé à sua jornada de força, coragem e esperança.

“O tratamento é muito difícil e, até hoje, eu sei que sirvo de apoio emocional para pessoas que descobrem o diagnóstico e me procuram para conversar. Porque a gente acaba querendo buscar um conforto em outras pessoas que já passaram por isso”, revela Maxine sem romantizar o processo: “Eu não vou te dizer que ‘ah, eu enfrentei tudo com muita alegria’, não, porque têm dias é que muito difícil”.

O processo de remissão do câncer foi marcado por ciclos. Se agosto foi o mês do plantio e da resiliência, outubro foi o da colheita da resistência, com o fim das sessões de tratamento. Mas foi o sol de janeiro de 2025 que trouxe a notícia mais esperada: a remissão. Os exames confirmaram que o corpo de Maxine estava livre da doença, mas sua alma, essa já havia se libertado do medo muito antes.

Durante o acompanhamento médico realizado em dezembro de 2025, foi identificada uma alteração em um linfonodo, o que trouxe novos desafios ao tratamento de Maxine. No entanto, ela manteve uma postura resiliente e cheia de esperança, compartilhando sua jornada com milhares de seguidores que também enfrentam o câncer. Para Maxine, sua presença pública não se tratava de imagem ou estética, mas sim de reafirmar seu propósito e sua luta pela vida.

Cenário do câncer no Acre

A história de superação de Maxine Silva ganha um peso ainda maior quando olhamos para as estatísticas que cercam o estado. Recentemente, no último dia 4 de fevereiro — Dia Mundial de Combate ao Câncer —, o debate sobre a prevenção e o acesso ao tratamento tomou conta das pautas de saúde.

Os dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028 acendem um sinal de alerta para a população acreana:

Se retirarmos dessa conta o câncer de pele não-melanoma, restam cerca de 970 acreanos que, anualmente, receberão um diagnóstico que mudará suas vidas para sempre. São 970 batalhas individuais que precisam de amparo médico, suporte emocional e, como Maxine demonstra, uma rede de apoio que transforme o medo em luta.

“Escolhi ser exemplo”

A prática de exercícios físicos é hábito na vida da influenciadora (Foto: Arquivo Pessoal)

Maxine continua sua jornada, agora com o olhar atento de quem sabe que a saúde é um jardim que precisa de rega constante. Sua trajetória é a prova viva de que, embora os números do INCA sejam preocupantes, eles não são o ponto final.

“O diagnóstico assusta, mas ele não tem a última palavra. A última palavra vem de cima. Eu escolhi ser um exemplo de que é possível sorrir mesmo no meio da tempestade”, enfatiza a influenciadora.

Neste fevereiro de combate ao câncer, que a coragem de Maxine seja o incentivo para o autocuidado de cada um dos 970 novos guerreiros que o Acre verá surgir. Pois, se o câncer é uma estatística, a superação é uma escolha diária.

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