A crise econômica que afeta moradores do interior do Amazonas ganhou um contorno criminal nesta semana em Eirunepé, município distante 1.160 quilômetros de Manaus. Um macaco-prego (Sapajus spp.) foi abertamente oferecido para comercialização em um grupo de WhatsApp da cidade, espaço geralmente destinado à venda de móveis usados e alimentos.
A publicação, feita por uma internauta local, justificava a venda do animal silvestre como uma forma de “reforçar a renda” para quitar contas básicas domésticas. O anúncio chamou a atenção pela naturalidade com que o primata foi exposto, desafiando a legislação vigente e as autoridades que monitoram a calha do Rio Juruá.
Crime contra a fauna e penalidades
Apesar da alegação de necessidade financeira, a prática configura crime federal. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei nº 9.605/1998), vender, expor à venda, exportar ou adquirir animais silvestres sem a devida licença ou autorização da autoridade competente é ilegal.
Reincidência na região
O caso atual não é isolado. Em setembro do ano passado, a região já havia registrado denúncia semelhante envolvendo a oferta de um macaco-barrigudo (Lagothrix lagothricha). A repetição desses anúncios em plataformas digitais expõe a dificuldade do Estado em fiscalizar o comércio informal online em áreas remotas da Amazônia.

