A participação das mulheres no mercado de trabalho é um dos principais indicadores da qualidade do desenvolvimento econômico e social de um território. No artigo de hoje, vamos destacar o comportamento das mulheres na composição da força de trabalho do Acre, destacando a evolução recente dos dados da PNAD Contínua revela um cenário marcado por avanços importantes, mas também por desafios persistentes. Entre 2012 e 2025, o estado registrou mudanças na estrutura da força de trabalho, na taxa de desemprego, na informalidade e no rendimento médio, permitindo uma análise mais ampla sobre a posição feminina na economia acreana.
Ao observarmos esse conjunto de indicadores, percebe-se que as mulheres ampliaram sua renda, reduziram a desigualdade salarial e registraram queda significativa no desemprego e na informalidade. Contudo, continuam sub-representadas na força de trabalho em relação ao seu peso demográfico. Os números mostram progresso, mas também evidenciam que a plena inserção feminina ainda é uma agenda estratégica para o desenvolvimento do Acre.
Maioria na população, mas presença ainda é menor na força de trabalho
Os dados da PNAD Contínua, constante na tabela a seguir, mostram que as mulheres permanecem maioria na população de 14 anos ou mais no Acre: eram 51,7% em 2012 (279 mil) e 51,6% em 2025 (344 mil), acompanhando o crescimento da população em idade ativa, que passou de 540 mil para 667 mil pessoas no período. Ou seja, do ponto de vista demográfico, o estado mantém perfil majoritariamente feminino na população potencialmente apta ao trabalho.

Entretanto, na força de trabalho, a participação feminina segue proporcionalmente menor e até registra leve recuo. Em 2012, as mulheres representavam 41,7% da força de trabalho (138 mil pessoas); em 2025, passam a 40,6% (141 mil). Apesar do pequeno aumento absoluto, sua participação relativa diminuiu 1,1 ponto percentual, indicando que o avanço demográfico feminino não se traduziu, na mesma intensidade, em maior inserção no mercado de trabalho acreano.
Desemprego cai no Acre e desigualdade de gênero diminui, mas ainda persiste
Os dados do IBGE, contidos na tabela a seguir, indicam melhora no quadro geral do desemprego no Acre entre o quarto trimestre de 2012 e o de 2025. O número de desocupados caiu de 27 mil para 22 mil pessoas, e a taxa de desemprego recuou de 8,2% para 6,4%, sinalizando um ambiente de mercado de trabalho relativamente mais favorável no período.
Do ponto de vista de gênero, a mudança é ainda mais significativa. Em 2012, as mulheres representavam 59,3% dos desocupados e enfrentavam taxa de desemprego de 11,4%, quase o dobro da masculina (5,9%). Em 2025, o número de mulheres desocupadas caiu de 16 mil para 10 mil, e sua taxa recuou para 7,2%.

Embora ainda permaneça acima da masculina (5,8%), houve redução expressiva da desigualdade, indicando avanço importante na inserção feminina no mercado de trabalho acreano.
Informalidade recua e mulheres registram maior avanço na formalização
Observou-se um avanço importante na redução da informalidade no Acre entre o quarto trimestre de 2015 e o de 2025. O número de ocupados em situação informal caiu de 166 mil para 146 mil pessoas, enquanto a taxa de informalidade recuou de 53,2% para 45%. Trata-se de uma diminuição relevante em dez anos, indicando melhora na qualidade da inserção ocupacional no estado.
Sob a ótica de gênero, a informalidade permanece mais concentrada entre os homens, que representavam 66,9% dos informais em 2015 e 67,8% em 2025. A taxa masculina caiu de 57,8% para 51,3%, enquanto entre as mulheres houve recuo ainda mais expressivo, de 45,9% para 35,9%. Isso sugere que, apesar de ainda enfrentarem desafios no mercado de trabalho, as mulheres apresentaram avanço mais consistente na formalização de suas ocupações ao longo da década.
Mulheres ampliam renda e reduzem diferença salarial em relação aos homens
O rendimento médio mensal real dos ocupados no Acre aumentou entre o quarto trimestre de 2012 e o de 2025, passando de R$ 2.840 para R$ 3.002. Entre os homens, a média evoluiu de R$ 3.044 para R$ 3.066, crescimento modesto em termos reais. Já entre as mulheres, o avanço foi mais expressivo: de R$ 2.525 em 2012 para R$ 2.906 em 2025.
Apesar de ainda apresentarem rendimento inferior ao masculino, as mulheres reduziram significativamente a diferença salarial no período. Em 2012, o rendimento feminino correspondia a cerca de 83% do masculino; em 2025, essa proporção sobe para aproximadamente 95%. Os dados indicam, portanto, um movimento consistente de aproximação salarial, revelando avanço importante na posição econômica das mulheres no mercado de trabalho acreano ao longo da última década.
Concluindo, apesar dos avanços observados na redução do desemprego, na formalização e na aproximação salarial, a participação feminina na força de trabalho acreana ainda permanece abaixo do seu peso demográfico. As razões são, em grande medida, estruturais. A sobrecarga das responsabilidades domésticas e do cuidado com filhos, idosos e familiares continua recaindo majoritariamente sobre as mulheres, limitando sua disponibilidade para o trabalho remunerado. A insuficiência de creches, a baixa oferta de serviços públicos de apoio ao cuidado e a rigidez de parte do mercado de trabalho ampliam esse obstáculo.
Além disso, fatores como menor acesso a ocupações de maior remuneração, concentração feminina em setores mais vulneráveis, persistência da informalidade e barreiras culturais ainda influenciam as trajetórias profissionais das mulheres. Superar esses entraves exige políticas públicas integradas — educação, qualificação, apoio ao empreendedorismo, expansão da rede de cuidados e estímulo à formalização — para que o potencial produtivo feminino se converta plenamente em crescimento econômico e desenvolvimento social no Acre.
Orlando Sabino escreve às quintas-feiras no ac24horas

