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Psicóloga relata ameaças de morte e perseguição após confronto com gestão de cidade do Acre

Por Redação Juruá em Tempo.3 de fevereiro de 20264 Minutos de Leitura
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Uma denúncia de assédio, abuso de poder e ameaças de morte tem movimentado a cidade de Epitaciolândia, no interior do Acre. A psicóloga clínica Taís Oliveira relatou, em entrevista ao ContilNet, o que descreve como um “problema generalizado” envolvendo a gestão municipal, iniciado após ela ter proposto um programa de ressocialização para coletores de lixo da cidade.

Atualmente, Taís e sua família estão fora da cidade por segurança e o seu consultório permanece fechado. “Até hoje estamos fora da cidade por segurança. Nossa fonte de renda ainda está interrompida. O consultório, tive que fechar”, lamentou a profissional.

O caso começou em novembro de 2025, quando Taís afirma ter sido ameaçada de morte por coletores de resíduos dentro de seu próprio quintal, local onde também funcionava seu consultório. O episódio mais grave ocorreu quando um dos trabalhadores partiu para cima da psicóloga.

“Ele foi grosseiro, violento comigo dentro da minha casa. Então, eu era uma mulher com quatro homens dentro do quintal. […] Ele perdeu a paciência comigo e o colega dele segurou ele pra ele não vir pra cima de mim. Foi basicamente isso. Então, foi um ato impulsivo mesmo”.

Segundo ela, ao notar falhas na gestão e condições de trabalho precárias — incluindo dependência química e histórico criminal de alguns trabalhadores — decidiu agir de forma propositiva ao invés de apenas denunciar.

“Eu escrevi um programa de melhorias pra eles, né? Um programa de socialização, pra que eles possam trabalhar o comportamento, pra que eles possam receber treinamento, pra que eles possam receber apoio de saúde, né? E aí, eu fiz essa doação”.

Prefeitura de Epitaciolândia/Foto: Reprodução

A psicóloga enfatiza que a entrega do programa em formato editável foi um “ato cívico” e que não tinha intenção de implementá-lo pessoalmente.

A situação escalou após a interferência direta da gestão municipal. Taís acusa a secretária de Planejamento, Marinete Mesquita, de utilizar uma reunião oficial para difamá-la. “A secretária de planejamento, Marinete Mesquita, fez uma reunião com os coletores, me difamando, me difamando muito mesmo. Incitando-os contra mim e a fazer boletim”, afirmou.

A partir daí, a profissional relata ter sido alvo de ataques coordenados para descredibilizar sua sanidade mental. Além do isolamento social, ela menciona táticas de intimidação.

Ela descreve que pessoas começaram a se distanciar após a gestão se posicionar contra ela.

“Fizeram um gaslighting dizendo que eu tava louca. Então, assim, tudo quanto foi ataque mesmo pra me silenciar”, relatou, mencionando ainda o recebimento de ligações silenciosas e carros circulando sua residência.

Taís afirma ainda que vídeos foram espalhados na prefeitura com alegações de que sua saúde mental estava prejudicada.

A psicóloga formalizou denúncias de desvio de função contra Marinete Mesquita e contra a secretária do Ambiente, Hiamar de Paiva. Além disso, protocolou um pedido de audiência pública com 253 assinaturas e embasamento jurídico, buscando melhorias para os coletores e providências sobre as agressões sofridas.

No entanto, Taís afirma que a Câmara de Vereadores tem se omitido. “A Câmara até hoje não respondeu meu pedido… E eles fogem muito, muito, muito, porque creio que não querem criar provas oficiais contra eles mesmos”, declarou.

O ContilNet buscou contato com a secretária do Ambiente, Hiamar de Paiva, para obter a versão da Prefeitura de Epitaciolândia sobre as graves acusações. A secretária evitou comentar os detalhes do caso, limitando-se a informar que a questão será tratada judicialmente.

“O que eu posso lhe garantir agora é que quem vai responder tudo isso é o meu jurídico. Esse é o meu posicionamento. Eu não vou tomar nenhuma atitude em relação a isso. Nós vamos… na hora certa a gente responde tudo. Não tenho nenhuma informação para lhe passar além disso”.

O caso agora segue sob análise do Ministério Público do Acre (MPAC), que apura as circunstâncias das ameaças e a conduta das secretárias mencionadas.

Por: Contilnet.
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