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Quadrilha ligada ao CV especializada em explosões de caixas eletrônicos e roubos em mansões é alvo da polícia

Uma quadrilha ligada ao Comando Vermelho (CV) especializada em explodir caixas eletrônicos e roubar residências de alto padrão é alvo de uma operação policial, nesta quarta-feira. Agentes da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas e Inquéritos Especiais (Draco/IE) cumprem 16 mandados de prisão e 32 de busca e apreensão no Rio e em Santa Catarina. Também foi solicitado o bloqueio de cerca de R$ 30 milhões vinculados ao grupo. Seis pessoas foram presas. Um mandado de prisão foi cumprido contra o soldado da Polícia Militar Jeferson Vieira do Nascimento, que se encontra preso no Batalhão Prisional da PM, em Niterói, na Região Metropolitana, desde 2024.

De acordo com a investigação, o grupo criminoso tem uma divisão clara de funções. Os bandidos se dividem em núcleo de liderança, braço técnico-operacional especializado no uso de maçarico industrial, núcleo de inteligência responsável pelo levantamento prévio de alvos e setor logístico-financeiro encarregado da movimentação e ocultação dos valores ilícitos, por meio de um sofisticado esquema de lavagem de capitais. Há, também, um núcleo de investigação.

— Ele escolhe o melhor momento para a ação deles. O indivíduo que faz o núcleo de liderança é de Santa Catarina e foi preso na ação de hoje. Conseguimos apurar durante a investigação a efetivação de pelo menos quatro roubos em residências de luxo e três explosões de caixas eletrônicos — disse o delegado Jefferson Ferreira, titular da Draco.

Os investigadores da Draco apuraram que nas ações contra caixas eletrônicos, criminosos de Santa Catarina vinham para o Rio, onde recebiam apoio logístico do CV. A facção fornecia veículos roubados para fuga, maquinário e ferramentas utilizadas nas explosões, além de locais para abrigo e esconderijo antes e após os crimes.

Os agentes identificaram que a quadrilha movimentou cerca de R$ 30 milhões ao longo de cinco anos, por meio de contas de pessoas físicas e jurídicas usadas para dissimular a origem ilícita do dinheiro. Parte da lavagem era feita numa joalheria em Niterói, na Região Metropolitana do Rio. A loja também é investigada por ocultar valores provenientes do tráfico de drogas no Complexo do Viradouro, comunidade localizada no município, o que, de acordo com a polícia, evidencia a ligação do bando com o tráfico.

— A joalheria fazia a receptação das joias (roubadas). Uma das empresas relacionadas a essa joalheira a gente constatou hoje que é de fachada. Ela captava joias. Durante o cumprimento do mandado de busca e apreensão hoje foram arrecadadas joias de luxo sem procedência que serão apreendidas para exame pericial e comprovação de que são produtos de crime. Essa joalheria já foi investigada por fazer lavagem de dinheiro do tráfico de drogas — afirmou Ferreira.

Segundo o delegado, foi constatado que numa explosão de caixa eletrônico ocorrida em 2024 foi usado um veículo cedido pelo CV, que saiu de uma comunidade no Complexo do Alemão, na Zona Norte do Rio.

Além do bloqueio de valores, foi requerida a indisponibilidade de bens móveis, imóveis e veículos de luxo vinculados aos investigados, com o objetivo de descapitalizar a organização e interromper seu fluxo financeiro. A operação mira, de forma simultânea, os núcleos operacional e financeiro do grupo criminoso.

Sobre o soldado alvo de um mandado de prisão, a PM informou que “já há um Procedimento Administrativo Disciplinar em curso sobre sua conduta, e que pode culminar com sua exclusão das fileiras da corporação”.

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