Provando que muita coisa pode mudar no futebol em um mês, o Vasco perdeu, nesse intervalo, Pablo Vegetti, Rayan e Philippe Coutinho, três dos jogadores mais representativos do elenco e responsáveis por 58 dos 94 gols da equipe na última temporada — o equivalente a 62%.
A primeira saída confirmada foi a do centroavante argentino, em 18 de janeiro. Nove dias depois, foi a vez do jovem de 19 anos, cria da Colina e um dos principais nomes do time, acertar sua ida ao Bournemouth, da Inglaterra. Coutinho, por sua vez, comunicou, na tarde do último dia 18, que, devido a uma sobrecarga emocional, também deixará o clube.
Agora, com novas peças, o time busca se readaptar ao modelo de jogo do técnico Fernando Diniz e encontrar novas referências de liderança no elenco e de identificação com a torcida.
Brenner, contratado por 6,5 milhões de euros (cerca de R$ 40,6 milhões) junto à Udinese (Itália), e Cláudio Spinelli, que chegou do Independiente del Valle (Equador) por 2 milhões de dólares (R$ 10,5 milhões), são, em tese, as opções para suprir as saídas de Vegetti e Rayan. No entanto, possuem características distintas.
Para o comentarista Lédio Carmona, a ausência de Rayan é a mais difícil de ser compensada. Ainda assim, ele aponta Spinelli como opção para a titularidade. O dilema está no fato de que o argentino, por seus atributos, se aproxima mais de Vegetti — que vinha ocupando o banco de reservas — do que do cria cruz-maltino. Torna-se necessária uma adaptação no modelo de jogo.
— Rayan é muito acima da média. Substituí-lo é uma tarefa difícil. Embora eu opte por Spinelli como titular, para o modelo funcionar é preciso, por exemplo, que Lucas Piton, que não vive boa fase, volte a apresentar bom desempenho — analisa Lédio.
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Apesar da preferência por Spinelli no comando de ataque, Lédio não descarta Brenner entre os titulares. Ele enxerga a possibilidade de o jogador atuar pelos lados do campo, ocupando o espaço de Nuno Moreira, que também não vive bom início de temporada.
O colombiano Johan Rojas foi o primeiro reforço do ano. Emprestado pelo Monterrey, do México, com opção de compra fixada em 3,5 milhões de euros (R$ 19 milhões), inicialmente chegaria para compor elenco. Com a saída de Coutinho, no entanto, passa a ser a principal alternativa para assumir a vaga no meio.
Liderança e identificação
Os três jogadores que deixaram o Vasco mantinham forte relação com a torcida: Vegetti era uma das principais lideranças do elenco; Rayan foi o destaque técnico e estatístico da equipe; e Coutinho, revelado em São Januário, construiu uma relação de carinho com os vascaínos. As saídas abrem espaço para o surgimento de novos nomes que assumam esse protagonismo, algo que ainda não está definido.
Para o jornalista, o momento instável de Léo Jardim impede que o goleiro desfrute de maior prestígio com os vascaínos. Quanto ao papel de líder, a lacuna permanece aberta. O comentarista não identifica, no elenco atual, um nome com esse perfil consolidado. Diante da escassez de opções, Thiago Mendes surge como possibilidade, mas ele ressalta a necessidade de o clube buscar no mercado um jogador com características claras de liderança.
— Hoje, diante do desempenho coletivo abaixo do esperado, acredito que Andrés Gómez, pela intensidade; Spinelli, pela entrega em campo; e Thiago Mendes, que cresceu na reta final da última temporada e mantém regularidade, possam conquistar maior respaldo e paciência da torcida — opina Lédio.

