O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta segunda-feira entrar com ações legais contra o apresentador da 68ª edição do Grammy, Trevor Noah, após uma piada sobre a suposta relação entre o mandatário e o já falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein.
Durante a cerimônia, ao parabenizar a cantora Billie Eilish pela vitória na categoria Canção do Ano com “Wildflower”, Noah fez uma referência indireta a Trump e a Epstein.
“É um Grammy que todo artista quer (…) quase tanto quanto Trump quer a Groenlândia”, brincou o apresentador, em alusão às reiteradas ameaças do presidente de tentar se apropriar do território autônomo dinamarquês no Ártico.
Em seguida, Noah afirmou que a obsessão de Trump pela Groenlândia “faz sentido porque, desde que Epstein não está mais por aqui, ele precisa de uma nova ilha para passar o tempo com Bill Clinton”.
O comediante sul-africano, que anunciou que este será seu último ano como anfitrião do Grammy após seis edições à frente da premiação, vinha adotando um tom mais discreto em relação a comentários políticos nas edições anteriores.
As declarações irritaram Trump, que reagiu por meio de sua rede social, a Truth Social, classificando os “Prêmios Grammy” como os “PIORES e praticamente impossíveis de assistir”.
“Não posso falar por Bill, mas nunca estive na ilha de Epstein nem em qualquer lugar próximo, e até a declaração falsa e difamatória desta noite, nunca havia sido acusado de estar lá, nem mesmo pela mídia de notícias falsas”, escreveu o presidente.
Na sequência, o republicano chamou Noah de “perdedor total” e disse que o apresentador precisa “checar seus dados”.
“Vou enviar meus advogados para processar esse pobre e patético apresentador sem talento. Prepare-se, Noah, vou me divertir com você!”, acrescentou.
Trump frequentava os mesmos círculos sociais que Epstein na Flórida e em Nova York e, ao longo dos anos, apresentou versões distintas sobre os motivos que o levaram a romper relações com o financista.
Na sexta-feira, mais de três milhões de documentos foram tornados públicos, mencionando diversas figuras influentes, entre elas o presidente americano, de 79 anos; Elon Musk, Bill Gates, Bill Clinton e o ex-príncipe Andrew Mountbatten-Windsor.

