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Acre amplia oferta de melancia, mas segue com participação nacional tímida

O mercado de melancia nas Centrais de Abastecimento (Ceasas) apresentou comportamento distinto em fevereiro de 2026, com destaque para o Acre, onde houve forte aumento na oferta, contrastando com a tendência nacional de queda no volume comercializado.

Na média geral das Ceasas analisadas, os preços registraram leve recuo de 3,72%, enquanto a oferta diminuiu na maioria dos entrepostos atacadistas do país. Praças importantes como Belo Horizonte (-19%), Rio de Janeiro (-16%) e Curitiba (-24%) enfrentaram redução significativa no volume disponível. Em sentido oposto, a Ceasa de Rio Branco apresentou crescimento expressivo de 92% na oferta, impulsionado principalmente pelo aumento da produção local.

Apesar desse avanço, o Acre ainda ocupa uma posição modesta no cenário nacional. O volume total ofertado pelo estado foi de apenas 27 mil quilos, número bastante inferior ao registrado por grandes produtores como Rio Grande do Sul, Bahia e Goiás. Somente o estado gaúcho respondeu por mais de 13 milhões de quilos comercializados, evidenciando a concentração da produção em outras regiões do país.

O cenário nacional foi influenciado pela menor produção em estados estratégicos. Na Bahia, por exemplo, houve redução de 7% na oferta ao longo do mês, devido ao atraso no início da segunda etapa da safra. Em Goiás, o excesso de chuvas prejudicou o plantio, especialmente em regiões como Ceres, impactando o volume disponível. Já em São Paulo, a colheita mais intensa da safrinha ficou concentrada para março, contribuindo para a retração momentânea da oferta.

Por outro lado, as condições climáticas favoreceram a qualidade das melancias em diversas regiões, com chuvas pontuais contribuindo para o bom desenvolvimento das frutas. No Rio Grande do Sul, principal fornecedor nos últimos meses, a produção cresceu, mas enfrentou desafios relacionados à qualidade e ao aumento dos custos, devido ao excesso de umidade e à maior incidência de doenças.

No Acre, o aumento da oferta em fevereiro pode representar uma oportunidade de fortalecimento da produção local, especialmente no abastecimento regional. No entanto, os números ainda mostram que o estado tem participação bastante limitada no mercado nacional, dependendo fortemente de outras regiões para suprir a demanda.

Para março, a tendência é de maior equilíbrio entre oferta e demanda, com possibilidade de alta nos preços em algumas praças, diante da redução da colheita no Sul e das oscilações climáticas em outras regiões produtoras. Nesse contexto, o desempenho local pode ganhar relevância, principalmente em mercados mais próximos, como o de Rio Branco.

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