Um time previsível, quase inofensivo e que transborda fragilidade defensiva. Esse é o Botafogo, que ontem sofreu a quinta derrota em sete partidas no Campeonato Brasileiro, ao ser goleado por 4 a 1 pelo Athletico em Curitiba (PR). Além de manter o time na zona de rebaixamento — na 17ª colocação com seis pontos —, o resultado afundou o alvinegro ainda mais numa crise dentro e fora dos gramados.
Sob o comando do técnico interino Rodrigo Bellão, do sub-20, o Botafogo voltou a apresentar os problemas de quando era liderado por Martín Anselmi. Posicionado num 4-3-3, o time sofre para encontrar maneiras de se defender de forma segura ou criar situações de perigo para o adversário. Tanto é que, assim como na vitória sobre o Bragantino, o gol de Edenilson na noite de ontem foi marcado em uma jogada de bola parada.
— Creio que não fizemos uma boa partida em nada. Não foi um bom dia para ninguém. Temos que melhorar muitas coisas defensivamente e ofensivamente também. Mas agora é levantar a cabeça e seguir melhorando juntos, porque temos time para reverter essa situação — lamentou o meio-campista Santi Rodríguez.
Jogadores em baixa
A impressão passada nas últimas partidas, o que inclui a de ontem, é a de um time que entra em campo sem saber ao certo o que fazer. E, embora haja jogadores capazes de demonstrar inconformismo com o momento ruim atravessado, a maioria deles apresenta um astral abatido, resignado.
No caso de ontem, a goleada se deu a partir de erros infantis dos homens da defesa. Dupla de zaga titular em 2024, Bastos e Barboza — que recebeu o terceiro cartão amarelo e terá que cumprir suspensão contra o Mirassol, na quarta-feira, no Nilton Santos — vivem fase irreconhecível. Juntos, falharam nos dois primeiros gols do Athletico, marcados por Viveros. Além disso, Raul, que já deu diversas demonstrações de não ser um goleiro confiável, foi facilmente encoberto no golaço de falta marcado por Esquivel. Aguirre também balançou as redes para o Furacão.
Ainda que não estejam envolvidos em nenhum lance marcante — o que também ajuda a explicar o momento tenebroso do time —, os jogadores do setor ofensivo não ficam muito atrás. Nomes como Montoro e Arthur Cabral passam a sensação de estar completamente desconexos do restante da equipe e até da partida em si. Pelo que têm feito nos últimos jogos, os dois não merecem seguir titulares.
Já outros como Matheus Martins, Santi Rodríguez e Júnior Santos — que foi acionado na segunda etapa — até tentam fazer algo positivo através da transpiração, mas são atrapalhados pela péssima fase coletiva, que se mistura com a individual.
Peso do extracampo
Como refletiu o capitão Alex Telles antes de a bola rolar em Curitiba, é inevitável associar o abatimento e o desempenho apresentado pelo time em campo aos bastidores turbulentos fora das quatro linhas. Incertos sobre o futuro do clube mesmo no curto prazo, os jogadores, assim como os demais funcionários, acabam afetados pelas polêmicas extracampo encabeçadas por John Textor, dono da SAF.
Enquanto a rede multiclubes do empresário enfrenta problemas de toda natureza, o Botafogo navega como um navio sem leme. E, pelo andar da carruagem no Brasileirão até aqui, o destino desta embarcação será a briga contra o rebaixamento, o que não condiz com o elenco montado e o investimento feito para a temporada.

