Um bombardeio de proporções catastróficas atingiu o coração da capital afegã na noite da última segunda-feira (16). Forças aéreas do Paquistão atacaram o Hospital Omid, uma unidade especializada no tratamento de dependentes químicos, por volta das 21h. O balanço preliminar das autoridades de saúde aponta uma tragédia humanitária: mais de 400 mortos e 265 feridos.
O cenário no local é de destruição total. O hospital, que abrigava pacientes vulneráveis em processo de reabilitação, foi reduzido a escombros sob o impacto das bombas. Equipes de resgate trabalharam durante toda a madrugada na tentativa de encontrar sobreviventes entre os destroços.
O governo do Afeganistão reagiu com indignação imediata, classificando o episódio como um “crime contra a humanidade”. Em nota oficial, Cabul afirmou que o ataque foi uma ação deliberada contra civis e uma violação flagrante da soberania nacional.
Por outro lado, o governo do Paquistão negou categoricamente que o alvo fosse uma unidade de saúde. Islamabad alega que a operação visava depósitos de munições e posições militares estratégicas, negando qualquer intenção de atingir a população civil.
A tensão entre os dois países vizinhos atingiu o ponto de ruptura devido ao grupo Tehrik-e-Taliban Pakistan (TTP). O Paquistão acusa o governo afegão de oferecer proteção e refúgio aos militantes do grupo, que realizam ataques em território paquistanês. O Afeganistão nega as acusações.
O agravamento das escaramuças na fronteira e a frequência das incursões aéreas criaram um ambiente de guerra declarada. A situação é ainda mais volátil devido à instabilidade regional crescente, potencializada pelos conflitos em curso no vizinho Irã, o que coloca toda a região em estado de alerta máximo.

